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sexta-feira, 23 de junho de 2023

Ode a Ceriddwen (Kervit vrten)

Original - Llyfr Du Caerfyrddin IV

Kervit vrten. autyl kyrridven. ogyrven amhad. 
Amhad anav. areith ayrllav. y cav keineid. 
Cvhelin doeth. kymraec coeth. kyvoeth awyrllav. 
Keluit id gan. cluir vir aedan. kywlavan lev. 
Kert kywlaunder. kadeir dirper cadir wober. yv. 
Kanholicion. caffod eilon. keinon vrthav. 
Cau tyirnet. cathil kyhidet kyurysswyv. 
Campus y veirch. canhyn ae peirch. kywren eirch glyv. 
Cor waradred. kenetyl noted ked kywetliv. 
Lliwed a hun. llysseit eitun. llun venediv. 
Llyd am kywor. llog desseffor. llog porth anav. 
Llvgyrin kytrim. lledvegin grim. llim yd grim glev. 
Lleuver synhuir. llauer a vyr. llvir id woriv. 
Gorpo gvr gulet druy tagnevet het o hetiv. 

 

Tradução

 

De acordo com a sagrada ode a Cyridwen, a/o¹ Ogyrven² das várias sementes. 

As várias sementes da harmonia poética, o discurso exaltado de um graduado menestrel 

Cuhelyn o sábio, da elegante Cymraec (Gales), em exaltada fruição; 
Irá habilmente cantar; o direito de Aedan³, o leão, e será escutado. 
Uma canção de plenitude, digna de uma cadeira (trono), uma poderosa composição o é. 

De pretendentes ele pode receber elogios, e elas o presentearem 
O laço dos soberanos, o tema de competições em canções harmoniosas. 

Esplêndidos são os seus cavalos, centenas o respeitam, o habilidoso procurador chefe 

O círculo da libertação, o refúgio das nações, a o tesouro da mútua reprovação. 
Para gracejar com ele, que é de uma forma venerável, eu teria um desejo devotado; 

Uma ampla defesa, como um navio para o suplicante, em um porto para o menestrel, 

Rápido como um relâmpago, um nativo poderoso, um chefe cujo poder é nítido; 

Uma luminária de sentidos, tanto quanto sabe, a ilusão se realiza completamente. 

Que o herói do banquete, através da paz, traga tranquilidade a partir deste dia. 

(Tradução nossa)4

 

Notas

 

1 - O uso do artigo nos textos medievais é algo trazido junto com a tradição do cristianismo, a grande maioria das línguas do mundo não possuem artigo, e também não é uma característica comum das línguas da antiguidade, o Latim por exemplo não possui artigo. Com o movimento da cristianização o artigo enquanto classe morfológica é algo carregado através do contato com a bíblia e a língua grega. Com isso a alteração e problemas nas traduções.

 

*Dryer, Matthew S. 2013. Definite Articles. In: Dryer, Matthew S. & Haspelmath, Martin (eds.) The World Atlas of Language Structures Online. Leipzig: Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. (Available online at http://wals.info/chapter/37, Accessed on 2018-07-21.)

 

 

2 - Alguns estudos e análises afirmam que "ogyrven" é o próprio caldeirão em si, de onde nasce ou é trazido algo. A tradução de "ogyrven amhad" pode ser levada em conta não só como 'ogyrven das várias sementes' como 'prole de ogyrven' colocando a deusa como proveniente de.

Algumas traduções do século XVI tratam Ogyrven/Ogyrfran como a própra Ceridwen, e assim seguem várias traduções mesmo atuais. Se tratarmos pela leitura de "Welsh Philology" do John Rhys ele menciona e desenvolve um raciocínio onde Ogyrfran seria 'Ocurvan' sendo assim "Corvo do mal", fazendo uma ligação com Badb.

 

 



Welsh Philologie, Rhys, p.324

 

Nos poemas do Livro de Taliesin encontram-se várias citações e menções a essa palavra ou nome de origem derivada Orgyrevn/Gogyrwen, aparecem nos textos "Kerd Veib am Llyr" LT XIV, "Kadeir Teyrnon" LT XV & "Angar Kyfyndawt" LT VII. Com a leitura desses textos podemos questionar se awen é de ogyrven, e ogyrven está em awen, mas eles não são coisa. Então o que é ogyrwen?.

A verdade é que nosso conhecimento das escolas bárdicas medievais é pobre e somente temos acessos aos textos, mais ainda sobre a verdadeira história dos poemas de 'Taliesin" e seus contemporâneos. O que eles chamavam de "ogyrven" pode nunca ser totalmente compreendido.

 

3 - Áedán mac Gabráin (ca. 530 - 606 ou 609) foi rei de Dál Riata cerca 574 até sua morte, talvez em 17 de abril de 609. O reino de Dál Riata situava-se na atual Argyll and Bute, Escócia, e parte do condado de Antrim, Irlanda do Norte.

 

4 - Sempre almejei fazer as traduções do original analisando outras traduções, o texto é objetivo, mas muitas escolhas são subjetivas, dessa forma tento trazer o texto de uma maneira limpa a deixar as dúvidas brotarem e usar alguns recursos de estudos da tradução. Espero possa oferecer algo bom para se trabalhar, trazendo questões linguísticas ou mesmo dúvidas em aberto das leituras e traduções.

 

Imagens do Manuscrito

 








 

 

 

 



 

quarta-feira, 11 de março de 2020

Retorno e Sobre a Hipótese Celtas do Oeste

Retorno


Olá a todos, há algum tempo não posto algo mas pretendo voltar devagar com alguns trabalhos e estudos novos. Gostaria de retornar trazendo uma tradução e espero que todos gostem deste trabalho e pesquisa que tomou meu tempo nos últimos anos.


Hipótese Celtas do Oeste


Essa nova hipótese tem mudado o rumo dos novos estudos e pesquisa quando tratamos de línguas e povos celtas, também vem afetando a pesquisa de outros ramos do Indo-Europeu como as línguas germânicas, o paralelo aqui estabelecido vai buscar motivos anteriores para mudanças regionais, invasões de povos anteriores e transformações ao longo do tempo construindo uma linha temporal até a formação dos povos ditos celtas. E propõe que a cultura celta tenha surgido às margens do Oceano Atlântico e a partir dali tenham se espalhado para a Europa.

Ela tem sido importante para mudar os rumos das investigações e tem surtido efeito de novas descobertas arqueológicas, também é um estudo bem recente onde se mesclam cientistas arqueólogos, linguísticas e biólogos geneticistas que tem aderido a pesquisas sobre a história humana.

O que trago aqui é um resumo introdutório sobre essa pesquisa do último livro lançado pelo AEMA - Atlantic Europe in the Metal Ages. Espero que desfrutem e gostem desse novo mundo que nos é apresentado como eu tenho me aprofundando e me interessado cada vez mais.

Segue link para baixar o texto, saudações a todos.

Capítulo um - Preparando a Cena - Barry Cunliffe - Celtas do Oeste - Tradução

Referências bibliográficas

CUNLIFFE, Barry & KOCH, John T., Exploring Celtic Origins: New ways forward in archaeology, linguistics, and genetics, (Celtic Studies Publications, 22)',1ª ed. Oxbow Books, Oxford & Philadelphia, 2019

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Danúbio, o nome de um grande rio com longa história.

O nome do Danúbio


Nos registros romanos, Dānuvius é a primeira referência apenas ao curso superior do rio Danúbio, o curso inferior era chamado de Ister. Este último derivado do grego Ἴστρος, um nome provavelmente emprestado do Trácio. Nas línguas europeias modernas em alemão Donau, húngaro Duna, servo-croata e eslovaco Dunav e romeno Dunărea. Todas essas formas (exceto Ister) implicam em uma forma mais antiga indo-européia *Dānouio. O rio galês de nome Donwy reflete essa mesma origem *Dānouio que já é existente na língua Proto-Celta. O rio inglês Don deriva de uma forma relacionada ao CELTA *dānu-; A cidade ROMANO-BRITÔNICA próxima a Doncaster a antiga Dānum, do antigo galês Cair Daun. O nome Danúbio está conectado com a deidade irlandesa Danu (Thutha Dé) e também conectado a deusa ancestral de Gales Dôn.

Danúbio é provavelmente derivado da palavra do INDO-EUROPEU *deh2nu- ‘rio’, da raiz *deh2- ‘fluxo’, cf. Sânscrito Védico dānu- ‘fluido gotejante’ (ou ‘presenteador’? – Dānu, uma deusa hindu primordial, mencionada no Rigveda [O livro dos cânticos] mão dos Danavas [daiyas], águas sagradas), Em Ossétio (uma língua persa) don ‘água, rio’. Há sugestões de que o nome pode ter sido um empréstimo dos antigos vizinhos dos Celtas a leste, a língua iraniana (Persa) dos Citas das planícies asiáticas e centro-leste europeias. (Um grupo parentesco de falantes de línguas iranianas, os sármatas, também penetraram a antiga Europa central.)

Nós temos por exemplo, um nome de uma tribo Cita, os Δαναός Dana(v)i (refletindo o PROTO-IRANIANO *Dānav(y)a-). Os nomes eslavos dos rios Don, Dniper e Dniestr são empréstimos dos Cítas *dānu, *dānu apara ‘rio superior’, *dānu nazdya ‘rio inferior’. Embora os três rios são empréstimos “irmãos” dos Cítas e do Danúbio eles igualmente desaguam no Mar Negro, o galês Downy não nos deixa dúvidas que os celtas e os iranianos (persas) tinham compartilhado a mesma palavra para nomear “rio”. Apesar de pontos de vista de estudiosos anteriores, como Vasmer, que determina Danúbio como de origem iraniana, uma fonte celta não pode ser excluída por razões linguísticas, como o nome Dānuvius é atestado primeiramente em falantes de línguas celtas na região ocidental da bacia do Danúbio. Por outro lado, as terras ao norte e oeste do Mar Negro são susceptíveis de ter sido lar de outros grupos de falantes antigos do indo-europeu no terceiro milênio ‘a.e.c’, antes da separação dos seus futuros ramos e famílias ou subfamílias. Entre topônimos, nesse caso de rios, há uma taxa particularmente elevada de ter sobrevivido de antes desses acontecimentos acima, como os nomes nativos dos rios na América. Portanto é possível também que Dānuvius seja “Um antiquíssimo nome de rio europeu” e que pode anteceder o surgimento dos celtas e dos iranianos como dialetos ou línguas distintas.







Referências bibliográficas


KOCH, John T. (ed.), Celtic culture: a historical encyclopedia, Santa Barbara, Denver and Oxford: ABC-Clio, 2006. (tradução nosssa)