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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Arawn e o Annwn ou Annwfn (O Outro Mundo)

O Annwfn ou Annwn

Fonte da foto:http://ci-annwn.deviantart.com/art/The-Fairy-Steps-at-Arnside-285028652


Annwn (também escrito Annwfn ou Annwvyn, no Galês médio Annwvn, Annwyn, Annwyfn ou Annwfyn) é o outro mundo na mitologia galesa que compões o vasto mundo da mitologia celta. Governado por Arawn (ou, na literatura arturiana, por Gwyn ap Nudd), era essencialmente um mundo de delícias e eterna juventude, onde a doença estava ausente e comida era sempre abundante. Ele tornou-se identificado com a vida após a morte cristã no paraíso (ou céu). Aparenta ser essa a melhor descrição para definir esse mundo, é dito que Annwn está localizado tão a oeste que nem mesmo Manawydan fab Llŷr o encontrou, e que lá somente se pode chegar morrendo, mas, também foi dito que no Annwn pode-se admitir pessoas ainda vivas, desde que elas encontrem a sua porta.


Localização


Em ambas a mitologias tanto a galesa quanto a irlandesa, o Outro mundo estaria localizado em uma ilha ou debaixo da terra. No primeiro ramo do Mabinogi, fica implícito que o Annwn é uma terra próximo e abaixo de Dyfed, enquanto no contexto do poema arturiano Preiddeu Annwfn nos sugere um local como uma ilha. Duas outras indicações sobrenaturais que ocorrem na segunda parte do Mabinogi estão localizados em Harlech no noroeste do País de Gales e na ilha de Grassholm no sudoeste Pembrokeshire.


Etimologia

Fontes do galês médio sugerem que o termo foi reconhecido como significando "muito profundo" nos tempos medievais. O aparecimento de uma forma antumnos antigo gaulês parece se assimilar a pequena maldição, no entanto, sugere que o termo original pode ter sido *ande-dubnos, uma palavra Galo-Britônica comum que, literalmente, significa "submundo". A pronúncia no galês moderno de Annwn é [anːʊn].

Para falantes do português a uma "transcrição" mais simples para os nomes seria:

- Annwn - Anun
Annwfn - Anuvn
Annwvyn - Anuvîn
- Arawn - Araun


História do Annwn e o aparecimento de Arawn






O Annwn desempenha um papel razoavelmente importante nos quatro ramos da "Mabinogion". No primeiro ramo do "Mabinogion", intitulado Pwyll, Príncipe de Dyfed (Pwyll Pendefig Dyfed), o príncipe homônimo ofende Arawn, governante de Annwn, por afugentar seus cães de caça de um cervo que os cães de Arawn tinha trazido ao chão. Como acordo pela ofensa, ele troca de lugar com Arawn por um ano e derrota o inimigo de Arawn, Hafgan, enquanto reina Arawn em seu lugar em Dyfed. Durante este ano, Pwyll se abstém de dormir com a esposa de Arawn, ganhando gratidão e amizade eterna de Arawn. Em seu retorno, Pwyll torna-se conhecido pelo título Penn Annwn, "Cabeça (ou Régua) de Annwn." No Quarta ramo do "Mabinogion", Arawn é mencionado mas não aparece; é revelado que ele enviou um presente de porcos do outro mundo como um presente para o filho de Pwyll e sucessor, Pryderi, o que acaba por conduzir a guerra entre Dyfed e Gwynedd. A memória de Arawn é mantido em um ditado tradicional encontrado em um antigo conto popular Cardigan:

"Hir yw'r dydd a hir yw'r nos, a hir yw aros Arawn" - "Longo é o dia e longa é a noite, e longo é o tempo de espera de Arawn"


Segue trecho do primeiro ramo do Mabinogion, tradução nossa:

"Pwyll, príncipe de Dyvet  era senhor dos sete cantrefs de Dyvet. Um dia se encontrava em Arberth, sua corte principal, e sentiu desejos de ir à caça, e foi  o domínio de Glynn Cuch que escolheu para tal atividade. Aquela mesma noite partiu de Arberth e chegou a Llwyn Diarwya, onde passou a noite. No dia seguinte se levantou na juventude do dia e chegou a Glynn Cuch para soltar os seus cães no bosque. Tocou o corno, e começou a caça com grande tumulto, se laçou logo atrás de seus cães e com tanto entusiasmo perdeu-se de seus companheiros. Dedicando os ouvidos aos latidos de seus cães, ouviu os latidos de outra matilha, mas seus latidos não eram os mesmos do que os daquela matilha avançava ao encontro da sua. E pode ver uma certa claridade no bosque, e quando sua matilha apareceu nos limites do ocorrido, viu um cervo que era perseguido pela outra matilha. Chegou a centro do acontecimento quando a matilha que o perseguia, o alcançou e derrubou o cervo. Pwyll contemplava as cores daqueles cães sem recorda-se do cervo, e de todos os cães que já havia visto no mundo, jamais havia visto cães daquela cor. Eram de cor branca reluzente e lustrosa, e suas orelhas eram vermelhas; e como era resplandecente a brancura dos cães, assim, também resplandecia o extraordinário vermelho de suas orelhas. Pwyll avançou até o cães e afugentou a matilha que havia matado o cervo e atiçou aos seus cães a presa. E naquele momento viu vir detrás da matilha um cavaleiro montado em um grande cavalo sinza como aço, que usava uma vestimenta de lã cinza e um corno de caça em torno da cintura.

O cavaleiro se adiantou até ele e falou assim:

- Príncipe, sei quem és, e não te cumprimentei.
- Possivelmente possui uma posição que o permita faze-lo - respondeu Pwyll
Com toda segurança não é a eminência de meu título que me impede.
- Então, o que é senhor?
- Para deus e para mim, sua ignorância e sua falta de cortesia.
- Que falta de cortesia notou em mim, senhor?
- Jamais havia vista ninguém cometer uma maior, qual a sua de afugentar a uma matilha que havia matado um cervo e atiçar a sua para a presa. Isso é falta de cortesia e, apesar de tudo, não me vingarei; por mim e por Deus, causarei desonra pelo valor de mais cem cervos.
- Se te prejudiquei, ganharei tua amizade.
- De que modo?
- Dependendo da sua posição, mas não sei quem você é.
- Eu fui coroado rei em meu páis de origem.
- Senhor, seja bem-vindo! E que país seria?
- De Annwvyn, sou Arawn, rei de Annuwvyn.
- E de que modo, senhor, conquistaria a sua amizade?
- Deste: Hafgan, rei de Annwvyn, cujo, domínios se encontram frente aos meus, me declarou guerra contínua. Se me libertar dessa calamidade, e você poderá fazê-lo facilmente, conquistará sem esforço minha amizade."



Logo, pode-se perceber que há possibilidades dos vivos vagarem no outro mundo e vice-versa.

Outras aparições




Em um poema épico mitológico semelhante Cad Goddeu descreve uma batalha entre Gwynedd e as forças de Annwn, liderado novamente por Arawn. É revelado que Amaethon, sobrinho de Math, rei de Gwynedd, roubou uma cadela,uma abibe (uma ave) e uma corça do Outro Mundo, levando a uma guerra entre os dois povos. Os habitantes de Annwn são retratados como criaturas bizarras e infernais; Estes incluem uma besta "wide-mawed" (não consegui traduzir bem essa parte) com uma centena de cabeças e tendo um hospedeiro abaixo da raiz de sua língua e outra sob seu pescoço, um sapo de cem garras negras de enterra-las, e uma "serpente ondulada malhada, com mil almas, por seus pecados, torturados nos poros de sua carne ". Gwydion, o herói Venedotiano (Norte de Galês) e mágico derrota com sucesso o exército de Arawn, primeiro por encantar as árvores para se levantar e lutar e em seguida, adivinhando o nome do herói inimigo Bran, assim ganhando a batalha.

Preiddeu Annwfn, um poema medieval encontrada no Livro de Taliesin, descreve uma viagem liderada por Arthur para os vários reinos sobrenaturais dentro de Annwn, seja para resgatar o prisioneiro Gweir ou para recuperar o caldeirão do Lider do Annwn. O narrador do poema é, possivelmente, o próprio Taliesin. Uma linha de leitura pode ser interpretada de como o reconhecimento que ele recebeu, o dom da poesia ou da oratória a partir de um caldeirão mágico, como Taliesin faz em outros textos, e o nome de Taliesin está ligado a uma história semelhante em outros textos. O narrador relata como ele viajou com Arthur e três carregamentos ou  carruagens de homens até o Annwfn, mas apenas sete pessoas retornaram. Annwfn é, aparentemente, referido por vários nomes, incluindo "Fortaleza do Monte", "Fortaleza dos quatro picos" e "Fortaleza de vidro", embora o poeta tenha destina as esse lugares como lugares distintos. Dentro das parede da Fortaleza do Monte, Gweir, um dos "três prisioneiros exaltados da Grã-Bretanha" conhecido das tríades galesas, é aprisionado em correntes. O narrador então descreve o caldeirão do lider do Annwn: "ele tem o acabamento em pérolas e não vai ferver comida para alimentar um covarde. Seja qual for a tragédia acabou matando a quase todos, porém há sete destes que não possuem seus destinos esclarecidos. O poema continua com uma escoriação de "homenzinhos" e monges, que não há em diversas formas de conhecimento possuído pelo poeta.

Folclore



No folclore galês, o Cŵn Annwn ou "Cães do Annwn" passeiam pelo céu no outono, inverno e início da primavera. O latido dos cães foram identificados como o choro de gansos selvagens que migram e as presas dos cães como espíritos errantes, sendo perseguidos para Annwn. No entanto, o próprio Arawn não é referido nestas tradições. Mais tarde, o mito foi cristianizado para descrever a "captura de almas humanas e a perseguição de almas condenadas para o Annwn", e o Annwn foi igualado com o "Inferno" da tradição cristã. 



Um detalhe

Com esse texto tento dar um mínimo de acesso ao conhecimento do que seria o outro mundo para os galeses, espero poder auxiliar alguns e espero ajuda de outros, porque, realmente é muito difícil explorar melhor esse tema. Gostaria de opiniões e auxilo, para as vezes, aumentar esse post. Desculpa qualquer tradução mal feita, tentei ao máximo fazê-las bem

Saudações a todos.


Referências bibliográfica


- Sims-Williams, Patrick. (1990). "Some Celtic otherworld terms". Celtic Language, Celtic Culture: a Festschrift for Eric P. Hamp, ed. Ann T. E. Matonis and Daniel F. Mela, pp. 57–84. Van Nuys, Ca.: Ford & Bailie.


- Lambert, Pierre-Yves. (2003). La langue gauloise: description linguistique, commentaire d’inscriptions choisies. Paris: Errance. 2nd ed.


- Cirlot Valenzuela, M. Victoria tr. (1982). Mabinogion: relatos galeses. Madrid: Editora Nacional. ISBN 84-276-0575-7.

- Mac Cana, Proinsias. (1983). Celtic Mythology (Library of the World's Myths and Legends). Littlehampton Book Services Ltd.

- http://www.almargen.com.ar/sitio/seccion/cultura/sabarb4/


- http://www.maryjones.us/ctexts/t08w.html


- http://www.maryjones.us/ctexts/t08.html


- http://d.lib.rochester.edu/camelot/text/preiddeu-annwn


- Morgan, Gerald (2005) "A Scholar of Early Britain: Rachel Bromwich (1915– )". In Chance,
- Jane, Women Medievalists and the Academypp. 769–781. University of Wisconsin Press. ISBN 0-299-20750-1.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Macha um nome comum

Macha um nome comum com várias facetas mitológicas e um faceta histórica.

Macha é um nome que podemos encontrar por todas as facetas, histórica, literária e religiosa da Irlanda, é um nome comum onde alguns dos leitores lembrarão de Macha filha de Partholón, que de acordo com o Lebor Gabála Érenn (Livro das Invasões da Irlanda) é a sexta geração de Noé, seu pai foi líder do primeiro povoamento da Irlanda após o dilúvio.

Ou podemos lembrar de Macha como a esposa de Nemed, líder do segundo povoamento da Irlanda depois do dilúvio. Ela foi a primeira do povo de Nemed a morrer na Irlanda, dizem ter dado o seu nome para a cidade de Armagh (Ard Mhacha-"lugar alto de Macha") - onde ela foi enterrada. Sobre ela encontramos informações nos Anais dos Quatro Mestres (The Annals of the Four Masters)

Há também Macha filha de Delbáeth e Ernmas, dos Tuatha De Danann, que aparece em muitas fontes iniciais. Muitas vezes mencionada junto com suas irmãs, "Badb e Morrigu, cujo nome era Anand", era também esposa de Nuada da Mão de Prata. As três deusas (com vários nomes) são muitas vezes consideradas uma deusa tríplice associadas com a guerra. No glossário de O'Mulconry, compilação de glosas dos manuscritos medievais preservados no Livro Amarelo da Lecan, descreve Macha como "uma das três morrígna" (o plural de Morrígan), e diz que o termo Machae Mesrad ", o mastro/tronco [colheita de bolotas] de Macha" , refere-se "as cabeças dos homens que foram abatidos." A versão do mesmo glosário em MS H.3.18 identifica Macha com Badb e 
Morrígan  chamando-as de o trio "mulheres corvo", que instigam a batalha. É descrito que Macha foi morta por Balor do Olho Maligno durante a batalha com os Fomorianos.
Sobre Macha deusa tríplice da guerra encontramos nos textos do Lebor Gabála Érenn (Livro das Invasões da Irlanda), Cét-chath Maige Tuired (Primeira Batalha de Magh Turedh) e Cath Maighe Tuireadh Cunga (Batalha de Magh Turedh em Cong).

Uma quarta Macha é a esposa de Cruinniuc, filha de Sainrith mac Imbaith. Cruinniuc, era um fazendeiro de Ulster. Após a morte primeira esposa de Cruinniuc, ela, Macha, apareceu em sua casa e, sem falar, começou a viver como sua esposa. Enquanto eles estavam juntos a riqueza de Cruinniuc aumentou. Quando ele foi para um festival organizado pelo rei de Ulster, ela avisou que só ficaria com ele, desde que ele não mencionasse sobre ela para qualquer um, e assim foi prometido. No entanto, durante a corrida de bigas, ele se gabou de que sua esposa poderia correr mais rápido que os cavalos do rei. O rei ouviu, e exigiu que ela fosse trazida para colocar o vangloriamento de seu marido em teste. Apesar de estar grávida, ela correu com os cavalos e os venceu, acabou assim dando a luz a gêmeos na linha de chegada. Posteriormente, a capital do Ulster foi chamada Emain Macha, ou "par/gêmeos de Macha" (essa história entra em conflito com a que darei mais foco adiante, segundo a qual Emain Macha foi nomeado depois do "broche do pescoço de Macha"). Ela amaldiçoou os homens de Ulster a sofrer suas dores de parto na hora de sua maior necessidade, razão pela qual nenhum dos homens de Ulster, e somente o semi-divino herói Cúchulainn, foram capazes de lutar em Cúailnge Tain Bo (Cattle Raid de Cooley). Esta Macha está particularmente associado com cavalos, talvez seja significativo que os potros gêmeos tenham nascidos no mesmo dia em que Cúchulainn, e que uma de suas carruagens-cavalos foi chamada/o Liath Macha ou "Macha Cinza". Ela, Deusa Macha é frequentemente comparada com as figuras mitológicas da Rhiannon galesa ou da Epona gaulesa.


"Macha amaldiçoando os homens de Ulster", ilustrado por Stephen Reid, de Eleanor Hull, The Boys' Cuchulainn de 1904

Passado um resumo sobre todas Machas acima venho aqui citar uma que muito me interessa gera curiosidade e tem chegado a nós com algum embasamento histórico, sendo uma personagem humana, Macha Mong Ruad.

Macha Mong Ruad

Macha Mong Ruad ("cabeleira/cabelo vermelha/o"), filha de Áed Ruad, foi, segundo a lenda medieval e tradição histórica, a única rainha na Lista dos Altos Reis da Irlanda. Seu pai dividia o reinado com seus primos Díthorba e Cimbáeth, sete anos de cada vez. Áed morreu depois de sua terceira temporada como rei, e quando chegou a sua vez novamente, Macha reivindicou a realeza. Díthorba e Cimbáeth se recusram a permitir que uma mulher tomasse o trono, e uma batalha se seguiu. Macha ganhou, e Díthorba foi morto. Ela ganhou uma segunda batalha contra os filhos de Díthorba, que fugiram para a vastidão de Connacht. Se casou com Cimbáeth tomando-o para sí, com quem ela dividia o reino. Após o casamento perseguiu os filhos de Díthorba sozinha, disfarçada como uma leprosa, e superou cada um deles quando eles tentaram fazer sexo com ela, os amarrou e levou os três pessoalmente para Ulster. Os homens de Ulster queriam tê-los matado, mas Macha os escravizou e obrigou-os a construir a fortaleza de Emain Macha (Navan Fort perto de Armagh), para ser a capital do Ulaid (Ulster), marcando as suas fronteiras (ou o monte central da fortaleza) com o seu broche (explicando o nome Emain Macha como eo-muin Macha ou "Broche do pescoço de Macha" {será citado mais a frente} ). Macha governou juntamente com Cimbáeth por sete anos, até que ele morreu de peste em Emain Macha, e depois mais 14 anos por conta própria, até que ela foi morta por Rechtaid Rígderg. O Lebor Gabála sincroniza o seu reinado ao de Ptolomeu I Soter (323-283 a.C.). A cronologia de Keating Foras Feasa ar Éirinn data seu reinado de 468-461 a.C. Os anais dos Quatro Mestres datam em 661-654 a.C.

Esta Macha nos traz algo de novo e importante ela não só é a única mulher a estar na Lista dos Altos Reis da Irlanda como também fundou o que consideramos o primeiro hospital do mundo e esses interesses venho abordar a seguir.

Começando pelo fato dos reinados, onde Áed Ruad, filho de Badarn, Díthorba, filho de Deman e Cimbáeth, filho de Fintan, três netos de Airgetmar, eram, segundo a lenda irlandesa medieval e tradição histórica, Altos Reis da Irlanda, que governaram em rodízio, sete anos cada um. Cada um deles governou por três turnos de sete anos. Áed morreu no final de sua terceira temporada, por afogamento em uma cachoeira que foi nomeado Eas Ruaid, "cachoeira do vermelho" (Assaroe Falls, Ballyshannon, County Donegal), depois dele, Díthorba e Cimbáeth então reinaram cada na sua vez, consecutivamente no recomeço do cilco a filha de Áed, Macha Mong Ruad, exigiu governar no lugar do pai. O que podemos ressaltar para haver um maior estudo e curiosidade são as quantidades de anos e o número que são, 7 anos e 3 reis, por alto já sabemos que são números carregados de simbologia em todo ocidente, e também essa analise de que não houve uma hereditariedade direta como ocorria no medievo, onde o filho mais velho herdaria, nesse caso 3 primos governaram juntos o que deixa mais uma curiosidade de como funcionava a política da época.

Logo, em partes, funcionava da seguinte forma, havia três vezes sete garantias entre eles [ou seja]: sete Druidas, sete poetas, sete líderes militares [ou capitães] . Os sete druidas para queimar os encantamentos e aconselhar, os sete poetas para satirizar e denunciá-los, os sete capitães para ferir e queimá-los se cada um deles não desocupa-se a soberania no final de seus sete anos. E também para manter a [evidências da] justiça de um Estado soberano , a saber: das abundâncias das colheitas todos os anos, de não falhar na pintura dos tecidos de todas as cores e das mulheres para não morrerem no parto. Eram três rodízios cada homem na soberania , isto é, sessenta e três anos ao todo. E Áed morreu em seu último rodízio.

Havia de certa forma então uma legislação sobre esse funcionamento, era rígida e tentava garantir seu pleno funcionamento.

Com relação e Emain Macha a proposta etimológica que até então mais bate com o nome do local seria a história do broche, ela marcou para eles, os filhos de Díthorba, com o broche onde foi construído o palácio em sua honra. Assim marcado com o broche de ouro ["Eo Oir"] do pescoço [ou no pescoço], ou seja "Emuin" ou "Eomuin". "Eo" [
broche] de Macha do seu pescoço > ["Eo" e "muin" , broche e pescoço.] Todas palavras do irlandês antigo. Seguindo essa ideia nos oferece a lenda ou história que mais pode se aproximar do nome do local.


Modelo miniatura do Forte/Palácio em Emain Macha.

Entrada atual do Forte/Palácio para visitantes

O primeiro hospital do mundo

O palácio de Emain Macha foi construído com as seguintes distribuições:

- Emain Macha Craebruad (ramo vermelho) era o mais conhecido dos três grandes salões de Emain Macha. Tinha nove salas de teixo vermelho, paredes de bronze, e, futuramente, o apartamento do rei Conchobar, tinha um teto de prata e colunas de bronze coberto com ouro.
- O segundo corredor, Craebderg (ramo corado) continha o tesouro que continha, entre outros objetos de valor, as cabeças dos inimigos mortos.
- A terceira sala, Tete Brec (tesouro cintilante) guardava-se as armas e armaduras.
- Armas não eram para ser levados para Emain Macha e no terreno da fortaleza continha um hospital para os guerreiros feridos e doentes.

Esse hospital é considerado o mais antigo do mundo. Historiadores dizem que é uma das primeiras instituições para cuidar dos doentes sendo fundada em 300 a.C., pela que alguns chamam Princesa Macha em Emain Macha (Forte Navan), que é homenageada por uma estátua fora do hospital Altnagelvin em Derry. Esse primeiro hospital foi chamado Broin Bearg (House of Sorrow).

Estátua em homenagem a Macha.

As leis Brehon da antiga Irlanda foram bastante detalhadas nas especificações para hospitais ou locais para o doente. Eles devem estar livres de sujeira e devem ter quatro portas - norte, sul, leste e oeste, deve haver um fluxo de água que atravessa o meio da pista. Cães, tolos e mulheres que repreendem/falantes devem ser mantidos longe do paciente, para que ele não  possa ter com o que se preocupar.

Segue trecho de um livro, A social history of ancient Ireland, de livre tradução minha, do autor Patrick Weston Joyce 1827-1914:

"A idéia de um hospital, ou uma casa de algum tipo para o tratamento do doente ou ferido, era familiar na Irlanda desde os tempos pagãos remotos. Em alguns dos contos do Tain , lemos que no tempo dos Cavaleiros do ramo vermelho havia um hospital para os feridos em Emain chamado Bróinbherg [ Brone - verrig ] , a 'casa de tristeza'. Mas chegando aos tempos históricos, sabemos que havia hospitais em todo o país, muitos deles em conexão com mosteiros. Alguns foram para pessoas doentes, em geral, alguns eram especiais, como, por exemplo, as casas de leprosos. Hospitais monásticas e casas de leprosos são muito frequentemente mencionados nos anais. Estas foram as instituições de caridade, apoiados por, e sob a direção e gestão de autoridades monásticas.

Mas havia hospitais seculares para o uso comum do povo da tuath ou distrito. Estes vieram sob o conhecimento direto da Lei Brehon, que estabeleceu certas regras gerais para a sua gestão. Pacientes que estavam em posição de ajudar eram esperados para pagar pela comida, medicina e atendimento médico. Em todos os casos a limpeza e ventilação parecem ter sido bem atendidos, pois foi expressamente previstas na lei que qualquer casa em que pessoas doentes foram tratados devem estar livres de sujeira, devem ter quatro portas abertas, e deve ter um fluxo de água atravessando o local através do meio do piso. Estes regulamentos, áspero e pontuais, como eles eram, estavam na direção certa, aplicados também para uma casa ou um hospital privado mantido por um médico para o tratamento de seus pacientes. O regulamento sobre as quatro portas abertas e o fluxo de água pode-se dizer que é presente por milhares de anos no tratamento ao ar livre.

Se uma pessoa feriu outro ou causou ferimentos corporais de alguma forma, sem justificativa, ele seria obrigado pela lei Brehon a pagar "a manutenção do doente", ou seja, o custo de manutenção do homem ferido em um hospital, no todo ou em parte, de acordo com as circunstâncias do caso, até a recuperação ou a morte, o que inclui o pagamento dos honorários do médico, e um ou mais atendentes de acordo com a posição da pessoa lesada. Além disso, era o dever do agressor verificar se o paciente foi devidamente tratado - se eram as habituais quatro portas com um fluxo de água, com a cama devidamente equipada e para que as ordens do médico fossem rigorosamente realizadas -, por exemplo, o paciente não era para ser colocado em uma cama proibida pelo médico, ou ser alimentado com determinado alimento proibido , e que "cães e tolos e pessoas ruidosas" deveriam ser mantidas longe do paciente para que ele não possa se preocupado com nada. Se o agressor negligenciasse esse dever corria o risco de penalidade.

E os hospitais de leprosos foram criados em várias partes da Irlanda , geralmente em conexão com mosteiros , de modo que se tornou muito comum, e muitas vezes são notados nos anais."

Espero que tenha sido de interesse de todos o texto, aguardo críticas e comentários de todos.
Gostaria de deixar aqui um link também sobre os Hostels públicos que os celtas, e neste casa principalmente os irlandeses criaram, pois todos devemos lembrar que a hospitalidade é uma virtude muito apreciada pelos celtas. Link :(http://www.libraryireland.com/SocialHistoryAncientIreland/III-XVII-10.php)

Referências bibliográficas:












Peço perdão não me estender as outras fontes, fico a disposição de quem quiser. AWEN!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Magnus Clemens Maximus ou Macsen Wledig Pt. 1

Conhecem Magno Maximo?


Este personagem é curioso por ser um usurpador do trono do império Romano, incentivador do cristianismo, exaltador da Britânia, divisor de águas acreditando que a partir dele começa a grande crise do império Romano com um detalhe importante governou somente por 5 anos transferindo a capital do Impérios para Trier (Tréveris) na atual Alemanha. Ele e sua mulher St. Elen (Santa Helen de Caernarfon, Elen Luyddog ou "Helen of the Hosts")  são tão importantes para o cenário cristão e cultural da formação do País de Gales medieval que ganham o direito de se tornarem lenda, em "Breuddwyd Macsen Wledig" - O sonho de Maxen Wledig um conto que foi escrito sendo retirado da tradição oral por volta dos séculos XII e XIII e por Godofredo de Monmouth (Geoffrey de Monmouth) no livro Historia Regum Britanniae - História dos Reis da Bretanha. No conto galês ele, sonha se tornar imperador, e se transforma em imperador graças ao exercita britânico (galês) e mantem esse cargo por anos. E Elen Luyddog que é canonizada pelo povo, como a maior parte dos santos de tradição celta não são canonizados pela igreja, funda várias igrejas no século IV d.C. e fez-se amiga do famoso St. Martin of Tours.


Igreja dedicada a São David e Santa Elen.

Um pouco da história de Magno


Moeda romana com busto de Magno Clemente Maximo



Imperador romana do Ocidente (383-388 d.C.) que usurpou o poder durante o reinado de Graciano e governou sobre a Britania, Gália e Hispania. Seu nome completo era Magno Clemente Máximo. Originário de Hispania, poucos dados se conhece sobre seus primeiros anos de vida. Sua carreira militar estevo influenciada por sua relação com Teodosio o Velho, magister militum por Gallias desde 369 pai do futuro imperador de oriente Teodosio I. Máximo serviu com Teodosio na Récia desde el 370 até 372, lugar o qual este havia sido enviado para frear as incursões dos alemães. No ano de 373 Teodosio foi enviado por Valentiniano I a África para conter a rebelião de Firmo e para investigar as atividades criminais de Romano, comandante general de África. Máximo acompanhou a Teodosio, tendo se engarrado de trabalhar com Gildo, o irmão de Firmo, ainda leal a Roma. Teriam como objetivo a prisão de Vicentio, o vicarius da África e cúmplice de Romano. Máximo, por isso entãoa, exercia o cargo de deputatus, ou seja, um alto oficial elegido pessoalmente pelo imperador para ajudar os grandes generais na tarefa de prender conspiradores.
Em 376 auxilio no Danubio como dux Moesiae secundae, onde ajudou a Lupicino, o magister militum por Thracias, no assentamento dos godos no território imperial. Em 380 foi nomeado Comes Britanniae. No aon de 381 protagonizou uma série de audaciosas vitórias sobre os pictos e os escotos, motivo pelo qual foi aclamado imperador em 383 pelas mãos de suas tropas, as quais mostraram uma especial antipatia a Graciano devido a sua falta de qualidades militares e as preferencias mostradas pelos bárbaros assentados no Império. Depois do nomeamento, Máximo desembarcou na Gália buscando a rápida confrontação com Graciano, quem não tardou em sair ao seu encontro, mas antes de enfrentar esta batalha foi abandonado por seus homens por volta de Paris e teve que fugir para a Itália para salvar sua vida. Máximo enviou depois a Andragathio, seu magister equitum, que o alcançou e matou em Lugdunum (atual Lyón) em 25 de agosto de 383.
Depois do assassinato, Máximo instalou sua corte em Tréveris (Trier), desde de onde exercia o controle sobre Britania, Hispania e Galia. Nem Valentiniano II nem Teodosio I intervirão em tal decisão. No ano de 384 Máximo invadiu a Itália com a ideia de despojar a Valentiniano II de seus domínios. Ambrosio, obispo de Milão, foi enviado como embaixador ao usurpador, quem exigiu a rendição de Valentiniano. A comitiva permitiu ao magister militum, Bauto, intensificar os passos pelos alpes e enviar a Valentiniano II a Constantinopla, onde buscou o amparo de Teodosio I. Em 384 conseguiu um acordo por que Máximo era reconhecido augusto sobre la Galia, Britania, Hispania assim como na África, a troca de permitir a volta de Valentiniano II a Itália. Naquele momento Máximo nomeou herdeiro e co-regente a seu filho Flavio Víctor.
Máximo, católico fervoroso, manteve uma política intervencionista nos assuntos religiosos, sobre todo na polemica priscilianista que se vinha gestando desde anos. Prisciliano, o bispo de Ávila, havia sido acusado de maniqueísta por Hidacio de Mérida e Itacio de Ossobona no concilio de Zaragoza do ano de 380. Eles foram primeiro a Graciano, que acabou por derrubar a convicção pressionados por Dâmaso de Roma e Ambrosio de Milán. Se apresentarão também ante Máximo, que terminou por firmar a condenação a morte de Prisciliano e seus seguidores no Sínodo de Burdeos do ano 384.
Por outro lado, Máximo não pode evitar o avanço dos pictos e escotos sobre o muro de Adriano, território que os romanos perderam definitivamente. Movido por sus ânsias de governar sobre todo o território ocidental, rompeu o acordo de 384 e invadiu Italia com a desculpa de querer defender o catolicismo, já que Valentiniano II era ariano. Em 387 alcançou o Vale do Pó, com o que novamente forçou a fuga a Constantinopla de Valentiniano II e sua mãe Justina com a ajuda do imperador do oriente. Teodosio I ajudou a este com um grande exército, formado em sua maior parte por francos, saxões e hunos. Máximo foi vencido primeiro em Siscia, as margens do rio Save, e depois em Poetovio. A pesar da derrota, Máximo conseguiu fugir para Aquileia, onde foi traído por suas tropas e morto pelas mãos de Teodosio I em 28 de agosto do ano 388.
A lenda
Segundo a História dos reis da Bretanha de Godofredo de Monmouth (base para muitsas lendas inglesas e galesas), foi Rei da Bretanha. De acordo com o relato do Mabinogion Breuddwyd Macsen (O sonho de Macsen Wledig) la esposa de Máximo era la filha de um poderoso chefe bretão de Segontium da região de Caernarfon ao norte de Gales, conhecida como Elen ou Elen Luyddog (Elena, também conhecida como Saint Helen of Caernarfon ou Elen of the Host). A Máximo se atribui a iniciativa da colonização da Península Armórica que realizaria com os soldados que trouxe da Ilha bretã.



Herança



O destino de sua família nos é desconhecido ainda que pareça certo que ademais de sua esposa e filhas sobreviveu sua mãe, perdoadas por Teodosio, e é possível seguir o rastro de alguns de seus descendentes.
Seu filho e colega no trono Flavio Víctor foi assassinado pelo general Arbogastes, pouco depois de seu pai por ordem de Teodosio.
Seu irmão Marcelino, que já ocupava algum posto importante durante o governo de Graciano, serviu as ordens de seu irmão  morrendo provavelmente em alguma das batalhas lideradas contra Teodosio.
Sua filha Severa nos é conhecida por uma inscrição da época da alta idade média, proveniente do Galês, chamada o Pilar de Eliseg, ela, Severa aparece como a esposa de Vortigern, Rey dos bretões. Seus descendentes dariam lugar a dinastia Gwerthernion, que governaría o reino de Powys en Gales.
Outra de suas filhas, de nome desconhecido, foi esposa de Ennodius, pro-consul Africae em 395.
Seu neto, Petrônio Máximo, foi outro imperador de final trágico, depois de governar Roma durante 77 dias, morreu apedrejado em 24 de maio de 455.
Entre outros possíveis descendentes se encontram Anicius Olybrius, imperador em 472, lo mesmo que vários cônsules e bispos como São Magnus Felix Ennodius (bispo de Pavía em 514-21).
No entanto, a parte de Marcelino, de Flavio Víctor e de um tal Comes Víctor, que poderia ser um tio seu, os outros nomes citados são só suposições gratuitas, pois não estão comprovadas de todo historicamente, ainda que boa parte se baseie em tradições posteriores.


No próximo post voltarei com uma entrada a mais na literatura e sociedade.

Referências bibliográficas:


Breudwyt Maxen Wledic / edited by Brynley F. Roberts. Dublin : School of Celtic Studies, Dublin Institute for Advanced Studies, 2005.

BROWN, P. The world of late Antiquity: from Marcus Aurelius to Muhamed. (London; Thames & Hudson, 1971).

CASTAGNOL, A. Le Bas Empire. (París; Colin, 1991).

MAIER, F.G. Las transformaciones del mundo mediterráneo, s III-VIII. (Madrid; Siglo XXI, 1972).

TEJA, R. La época de los Valentinianos y de Teodosio. (Madrid; Akal, 1990).

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Reconhecido como religião o druidismo na Grã-Bretanha (2010)


Essa notícia é de outubro de 2010, e como fiz uma publicação maior essa semana, uso essa notícia para reforçar quem não está informado sobre isso. No Brasil o site de maior destaque que publicou foi o G1, como sempre a Globo não abrange a notícia, então basta nosso senso crítico para discernir a informação escrita.Druidismo recebeu reconhecimento oficial na Grã-Bretanha

"Reconhecido como religião, druidismo deve ter isenção fiscal na Grã-Bretanha

O druidismo deve se tornar a primeira prática pagã a receber reconhecimento oficial como religião na Grã-Bretanha, status que lhe garante isenção fiscal.
A comissão britânica que regula instituições de caridade aceitou o argumento de que a adoração a espíritos naturais pode ser vista como uma atividade religiosa de interesse público, milhares de anos após os primeiros druidas terem surgido na Grã-Bretanha.
A organização Druid Network afirma, no entanto, que não se beneficiará da isenção fiscal a que deve ter direito, porque não recebe dinheiro o suficiente para tal.

Prática milenar O druidismo é uma das primeiras práticas espirituais de que se tem conhecimento na Grã-Bretanha, e os druidas também existiram em sociedades celtas em outros países da Europa.Phil Ryder, líder da Druid Network, disse apreciar o reconhecimento oficial, ainda que esse não tivesse sido o motivo pelo qual pediu o status de organização de caridade. “Pedimos porque somos obrigados por lei a fazê-lo.”A Druid Network afirma ter 350 membros, que pagaram 10 libras cada um para se afiliar.Os druidas não restringem sua adoração a um deus ou criador. Idolatram espíritos que, dizem, habitam a Terra, além de forças da natureza, como trovões, e locais como montanhas e rios.O correspondente da BBC Robert Pigott, especializado em assuntos religiosos, disse que o druidismo está florescendo no Reino Unido, em meio ao crescimento das preocupações ambientais e à diminuição da influência das religiões tradicionais."

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/10/101002_druidas_pai.shtml