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quarta-feira, 11 de março de 2020

Retorno e Sobre a Hipótese Celtas do Oeste

Retorno


Olá a todos, há algum tempo não posto algo mas pretendo voltar devagar com alguns trabalhos e estudos novos. Gostaria de retornar trazendo uma tradução e espero que todos gostem deste trabalho e pesquisa que tomou meu tempo nos últimos anos.


Hipótese Celtas do Oeste


Essa nova hipótese tem mudado o rumo dos novos estudos e pesquisa quando tratamos de línguas e povos celtas, também vem afetando a pesquisa de outros ramos do Indo-Europeu como as línguas germânicas, o paralelo aqui estabelecido vai buscar motivos anteriores para mudanças regionais, invasões de povos anteriores e transformações ao longo do tempo construindo uma linha temporal até a formação dos povos ditos celtas. E propõe que a cultura celta tenha surgido às margens do Oceano Atlântico e a partir dali tenham se espalhado para a Europa.

Ela tem sido importante para mudar os rumos das investigações e tem surtido efeito de novas descobertas arqueológicas, também é um estudo bem recente onde se mesclam cientistas arqueólogos, linguísticas e biólogos geneticistas que tem aderido a pesquisas sobre a história humana.

O que trago aqui é um resumo introdutório sobre essa pesquisa do último livro lançado pelo AEMA - Atlantic Europe in the Metal Ages. Espero que desfrutem e gostem desse novo mundo que nos é apresentado como eu tenho me aprofundando e me interessado cada vez mais.

Segue link para baixar o texto, saudações a todos.

Capítulo um - Preparando a Cena - Barry Cunliffe - Celtas do Oeste - Tradução

Referências bibliográficas

CUNLIFFE, Barry & KOCH, John T., Exploring Celtic Origins: New ways forward in archaeology, linguistics, and genetics, (Celtic Studies Publications, 22)',1ª ed. Oxbow Books, Oxford & Philadelphia, 2019

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Danúbio, o nome de um grande rio com longa história.

O nome do Danúbio


Nos registros romanos, Dānuvius é a primeira referência apenas ao curso superior do rio Danúbio, o curso inferior era chamado de Ister. Este último derivado do grego Ἴστρος, um nome provavelmente emprestado do Trácio. Nas línguas europeias modernas em alemão Donau, húngaro Duna, servo-croata e eslovaco Dunav e romeno Dunărea. Todas essas formas (exceto Ister) implicam em uma forma mais antiga indo-européia *Dānouio. O rio galês de nome Donwy reflete essa mesma origem *Dānouio que já é existente na língua Proto-Celta. O rio inglês Don deriva de uma forma relacionada ao CELTA *dānu-; A cidade ROMANO-BRITÔNICA próxima a Doncaster a antiga Dānum, do antigo galês Cair Daun. O nome Danúbio está conectado com a deidade irlandesa Danu (Thutha Dé) e também conectado a deusa ancestral de Gales Dôn.

Danúbio é provavelmente derivado da palavra do INDO-EUROPEU *deh2nu- ‘rio’, da raiz *deh2- ‘fluxo’, cf. Sânscrito Védico dānu- ‘fluido gotejante’ (ou ‘presenteador’? – Dānu, uma deusa hindu primordial, mencionada no Rigveda [O livro dos cânticos] mão dos Danavas [daiyas], águas sagradas), Em Ossétio (uma língua persa) don ‘água, rio’. Há sugestões de que o nome pode ter sido um empréstimo dos antigos vizinhos dos Celtas a leste, a língua iraniana (Persa) dos Citas das planícies asiáticas e centro-leste europeias. (Um grupo parentesco de falantes de línguas iranianas, os sármatas, também penetraram a antiga Europa central.)

Nós temos por exemplo, um nome de uma tribo Cita, os Δαναός Dana(v)i (refletindo o PROTO-IRANIANO *Dānav(y)a-). Os nomes eslavos dos rios Don, Dniper e Dniestr são empréstimos dos Cítas *dānu, *dānu apara ‘rio superior’, *dānu nazdya ‘rio inferior’. Embora os três rios são empréstimos “irmãos” dos Cítas e do Danúbio eles igualmente desaguam no Mar Negro, o galês Downy não nos deixa dúvidas que os celtas e os iranianos (persas) tinham compartilhado a mesma palavra para nomear “rio”. Apesar de pontos de vista de estudiosos anteriores, como Vasmer, que determina Danúbio como de origem iraniana, uma fonte celta não pode ser excluída por razões linguísticas, como o nome Dānuvius é atestado primeiramente em falantes de línguas celtas na região ocidental da bacia do Danúbio. Por outro lado, as terras ao norte e oeste do Mar Negro são susceptíveis de ter sido lar de outros grupos de falantes antigos do indo-europeu no terceiro milênio ‘a.e.c’, antes da separação dos seus futuros ramos e famílias ou subfamílias. Entre topônimos, nesse caso de rios, há uma taxa particularmente elevada de ter sobrevivido de antes desses acontecimentos acima, como os nomes nativos dos rios na América. Portanto é possível também que Dānuvius seja “Um antiquíssimo nome de rio europeu” e que pode anteceder o surgimento dos celtas e dos iranianos como dialetos ou línguas distintas.







Referências bibliográficas


KOCH, John T. (ed.), Celtic culture: a historical encyclopedia, Santa Barbara, Denver and Oxford: ABC-Clio, 2006. (tradução nosssa)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A vida das antigas mulheres Celtas

As mulheres Celtas


As Mulheres celtas eram distintas no mundo antigo pela liberdade, pelos direitos dos quais gozavam e a posição que detinham na sociedade. Comparando-as em contrapartida com os gregos, romanos e outros povos antigos, elas tinham bastantes liberdades de atividades e leis que as protegiam. É importante citar que na Idade do Ferro os celtas eram um povo patriarcal e a maior parte dos homens tinha o poder supremo na política e no lar. Apesar disso, as mulheres celtas antigas continuam a ser um exemplo inspirador de feminilidade do passado.

Impressões dos autores clássicos dizem muito sobre quão diferentes eram as mulheres celtas das mulheres com as quais os escritores estavam familiarizados. Diodoro da Sicília descreve as mulheres gaulesas como sendo "quase tão altas quanto os homens, e rivais na coragem". Amiano Marcelino faz uma descrição mais exaltada: "... um grupo inteiro de invasores não serão capazes de lidar com um [Gaul] em uma luta, caso chame sua esposa, ainda mais forte do que ele, com os olhos brilhando... quando ela incha seu pescoço e range seus dentes, equilibrando seus enormes braços brancos, começa a chover golpes que se misturam com chutes, como tiros lançados pelas cordas torcidas de uma catapulta". Embora exageradas as palavras de Marcelino, elas evocam umas imagens de mulheres formidáveis entre os antigos celtas.

Mulheres guerreiras e Rainhas celtas da antiguidade




As mulheres celtas da antiguidade atuaram tanto como guerreiras quanto governantes. Podiam aparecer tantas garotas como de garotos para lutar com espadas e outras armas. Uma das escolas de formação mais proeminentes na mitologia gaélica foi criada e guiada por Scathach (pronuncia-se "sca-hrah" ou "Scaía"), uma mulher guerreira que tem origem em uma região da hoje conhecida como Escócia. Ela treinou o maior herói da lenda irlandesa, Cúchulainn (pronuncia-se "coo-quesco-in" ou "coo-khull-in", com o "KH", como no lago escocês), o mais famoso de seus pupilos, logo após de seu longo treino, ele passou a lutar contra exércitos inteiros sozinho e a executar outros grandes feitos. A rival feminina de Scathach, Aife (ou Aoife), foi considerada uma das mais ferozes guerreiras vivas. Cada uma dessas mulheres possuíam um exército.

A prática de portar armas era relativamente comum entre as mulheres. Foram registradas mulheres que haviam tomado parte na batalha final contra Caio Suetônio Paulino, quando ele avançou sobre a fortaleza druida na ilha de Mona (atual Anglesey), localizada no atual País de Gales. Neste caso, elas parecem ter feito grande uso de táticas psicológicas, como gritar, dançar loucamente, e puxavam seus rostos, assustando os romanos o suficiente para mantê-los fora por um tempo.




Estátua de Boudicca


Embora a mais alta autoridade política fosse muitas vezes atribuída aos homens, haviam mulheres que ocasionalmente tornavam-se rainhas no poder e chefes militares. Boudicca (ou Boadicea) foi, e é, a mulher mais conhecida desta classe. Ela é homenageada no presente por liderar a última grande revolta contra os romanos na Grã-Bretanha. Quando seu marido morreu, Prasutagus, ela se tornou governante dos Iceni, uma tribo celta do sudeste da Grã-Bretanha. Prasutagus tinha estabelecido relações diplomáticas com os romanos após a invasão da ilha. Ele decidiu submeter à suserania romana, e em seu testamento, deixou uma parte de suas propriedades e poderes para os romanos, porém nomeou suas duas filhas adolescentes como suas herdeiras. Boudicca foi designada como regente até que elas chegassem a idade de governar.
Os romanos não levaram a sério a ideia de uma mulher no governo e procuraram tirar proveito dessa situação, eles acreditavam que essa poderia ser uma das fraquezas dos Iceni. Catus Decianus, o romano encarregado de recolher parte da herança de Roma, insultou os Iceni através de uma série de atos horríveis. Ele ordenou que suas tropas saqueassem os bens dos Iceni, chicoteou Boudicca em público, e ordenou que estuprassem as filhas de Boudicca repetidamente. Boudicca respondeu liderando uma revolta das forças de seu povo e a de várias outras tribos que tinham um ressentimento crescente com os romanos invasores. Os celtas rebeldes conseguiram assolar o centro administrativo romano de Londinium (Londres moderna) e saquearam duas outras cidades romanas antes de serem derrotados.
A capacidade de Boudicca de unir o seu povo em revolta era notável considerando uma propensão céltica, que era desestabilizadora, pois, sempre tentavam ganhar glória individual, um fator precipitante e consistente quando pensamos na queda da Europa céltica para a expansão romana. Apesar da força unificadora da liderança de Boudicca, a revolta foi de curta duração, e Boudicca morreu também no seu final, talvez por suas próprias mãos, a fim de evitar a captura.


(Pintrest)

A rainha Cartimandua foi outra notável líder feminina celta da Idade do Ferro. Ela governou os Brigantes, uma tribo do norte da Grã-Bretanha. Uma contemporânea de Boudicca, Cartimandua é lembrada mais como uma traidora do que como uma heroína por sua traição a Caradoc, o líder da resistência céltica do Oeste. Quando Caradoc veio a sua ajuda, Cartimandua agarrou-o e, posteriormente, o entregou em correntes para os romanos. Ela provavelmente fez isso por razões de conveniência política, na tentativa de manter o poder através do apoio de Roma.



Maeve


Na Irlanda, houve uma governante feminina como bem sabemos, Medb (ou Maeve), rainha de Connaught. Ela é mais lembrada por seu papel no “Táin Bó Cúailnge” (o ataque ao gado de Cooley). Medb, determinada a provar-se igual ao seu marido, liderou uma invasão ao reino de Ulster com a finalidade de alcançar um touro do mesmo valor que um animal que seu marido possuía. Embora ela tenha capturado o touro, acabou sendo frustrada por Cúchulainn e os animais escaparam. Medb pode ser uma figura odiosa nesta lenda, mas ela fornece um exemplo da Idade do Ferro de uma potente governante mulher celta. Sua autoridade era absoluta e sua palavra era regra, prevalecendo até mesmo sobre a de seu marido.

Papel da Mulher na Vida Pública





Embora a vida pública na Idade do Ferro Celta tenha sido em grande parte dominada pelos homens, as mulheres conseguiram desempenhar um papel proeminente também. Elas não parecem ter sido sistematicamente excluídas de qualquer ocupação. As mulheres poderiam se tornar druidas, incluindo sacerdotisas, poetas e curandeiras. Elas poderiam realizar negócios sem o consentimento ou o envolvimento de seus maridos. Elas poderiam servir como diplomatas; na verdade, uma mulher agiu como uma embaixadora no estabelecimento do tratado entre o general cartaginês Hannibal e o governante celta da tribo dos Volcas durante uma marcha contra Roma. Plutarco escreveu no século II que havia uma tradição de longa data, entre os celtas, das mulheres que atuavam como mediadoras ou juízas em disputas políticas e militares. Elas também eram conhecidas por ter desempenhado um papel de mediação similar em suas próprias assembleias tribais.


Casamento e os direitos da mulher dentro da lei




Os direitos pessoais da mulher e seus direitos dentro do casamento favorecem o testemunho da elevada estima a qual elas detinham na sociedade celta da Idade do Ferro. No geral, o casamento parece ter sido visto pelos antigos celtas como uma parceria entre homens e mulheres. Em contrapartida, o direito romano ditava que uma mulher era propriedade de seu marido. Apesar de Júlio César escrever que os homens celtas tecnicamente tinham o poder de vida e morte sobre suas esposas, as mulheres, no entanto, desfrutavam de muitas proteções legais. As mulheres não podiam se casar contra sua vontade. Elas podem ter sido autorizadas a escolher seus maridos, apesar de que as famílias foram, sem dúvida, envolvidas nas decisões de casamento. Casamentos Políticos, para obter uma aliança, eram comuns entre as mulheres da nobreza. Os sistemas de dote variavam entre os diferentes Grupos celtas, mas um costume comum era cada uma das partes levar uma soma igual de bens para o casamento e o montante combinado deveria ser deixado para acumular lucro. Após a morte de um parceiro, o outro vivo receberia sua parte original do dote e os lucros resultantes da mesma. Se o casal se divorciou, cada parceiro tem sua contribuição original e os seus lucros. Diferentes versões desta prática básica parecem ter existido entre os vários grupos celtas na Idade do Ferro Irlanda, País de Gales, Gália, e outras áreas.

Dentro do casamento, as mulheres foram autorizadas a possuir e herdar bens de forma independente. As mulheres casadas poderiam ter casos legais (amantes), sem o consentimento de seus maridos. A independência econômica das mulheres oferecia-lhes proteção em caso de divórcio ou morte do marido: uma situação muito diferente do que a das mulheres clássicas.





O divórcio era uma questão relativamente simples e podia ser solicitada por qualquer uma das partes. O historiador Jean Markale explica que isso foi porque o "casamento celta era essencialmente contratual, social, e não completamente religioso, mas sim com base na liberdade do homem e da mulher". Na Irlanda e na Escócia, existiam casamentos experimentais ao longo de todo o ano que poderiam ser dissolvidos se provassem que o mesmo era inviável. As mulheres divorciadas não eram desprezadas e foram sempre livres para se casar novamente. Os antigos celtas eram celtas polígamos e em determinadas regiões na Escócia, de acordo com César, especificamente poliandros, ou seja, as mulheres podiam ter vários maridos. Esta afirmação tem sido questionada, mas, poliandras ou não, as mulheres na sociedade celta antiga formam claramente um forte contraste com os seus contemporâneos em todo o mundo.

Tradução nossa*

Referências Bibliográficas


Ellis, P. B. (1994). The druids. Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company.

James, D. (Ed.). (1996). Celtic connections: the ancient Celts, their tradition and living legacy. London: Blandford Press.

James, S. (1993). The world of the Celts. London: Thames and Hudson.

King, J. (1998). Kingdoms of the Celts: a history and guide. London: Blandford Press.

Markale, J. (1986). Women of the Celts. (A. Mygind, C. Hauch, & P. Henry, Trans.). Rochester, Vermont: Inner Traditions International, Ltd. (Original work published 1972).

Matthews, J. (1988). Boadicea: warrior queen of the Celts. Dorset: Firebird Books.

Walkley, V. (1997). Celtic daily life. London: Robinson Publishing.

Wilde, L. W. (1997). Celtic women in legend, myth and history. New York: Sterling
Publishing Co., Inc.
Em breve tentarei postar sobre as leis matrimoniais.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Arawn e o Annwn ou Annwfn (O Outro Mundo)

O Annwfn ou Annwn

Fonte da foto:http://ci-annwn.deviantart.com/art/The-Fairy-Steps-at-Arnside-285028652


Annwn (também escrito Annwfn ou Annwvyn, no Galês médio Annwvn, Annwyn, Annwyfn ou Annwfyn) é o outro mundo na mitologia galesa que compões o vasto mundo da mitologia celta. Governado por Arawn (ou, na literatura arturiana, por Gwyn ap Nudd), era essencialmente um mundo de delícias e eterna juventude, onde a doença estava ausente e comida era sempre abundante. Ele tornou-se identificado com a vida após a morte cristã no paraíso (ou céu). Aparenta ser essa a melhor descrição para definir esse mundo, é dito que Annwn está localizado tão a oeste que nem mesmo Manawydan fab Llŷr o encontrou, e que lá somente se pode chegar morrendo, mas, também foi dito que no Annwn pode-se admitir pessoas ainda vivas, desde que elas encontrem a sua porta.


Localização


Em ambas a mitologias tanto a galesa quanto a irlandesa, o Outro mundo estaria localizado em uma ilha ou debaixo da terra. No primeiro ramo do Mabinogi, fica implícito que o Annwn é uma terra próximo e abaixo de Dyfed, enquanto no contexto do poema arturiano Preiddeu Annwfn nos sugere um local como uma ilha. Duas outras indicações sobrenaturais que ocorrem na segunda parte do Mabinogi estão localizados em Harlech no noroeste do País de Gales e na ilha de Grassholm no sudoeste Pembrokeshire.


Etimologia

Fontes do galês médio sugerem que o termo foi reconhecido como significando "muito profundo" nos tempos medievais. O aparecimento de uma forma antumnos antigo gaulês parece se assimilar a pequena maldição, no entanto, sugere que o termo original pode ter sido *ande-dubnos, uma palavra Galo-Britônica comum que, literalmente, significa "submundo". A pronúncia no galês moderno de Annwn é [anːʊn].

Para falantes do português a uma "transcrição" mais simples para os nomes seria:

- Annwn - Anun
Annwfn - Anuvn
Annwvyn - Anuvîn
- Arawn - Araun


História do Annwn e o aparecimento de Arawn






O Annwn desempenha um papel razoavelmente importante nos quatro ramos da "Mabinogion". No primeiro ramo do "Mabinogion", intitulado Pwyll, Príncipe de Dyfed (Pwyll Pendefig Dyfed), o príncipe homônimo ofende Arawn, governante de Annwn, por afugentar seus cães de caça de um cervo que os cães de Arawn tinha trazido ao chão. Como acordo pela ofensa, ele troca de lugar com Arawn por um ano e derrota o inimigo de Arawn, Hafgan, enquanto reina Arawn em seu lugar em Dyfed. Durante este ano, Pwyll se abstém de dormir com a esposa de Arawn, ganhando gratidão e amizade eterna de Arawn. Em seu retorno, Pwyll torna-se conhecido pelo título Penn Annwn, "Cabeça (ou Régua) de Annwn." No Quarta ramo do "Mabinogion", Arawn é mencionado mas não aparece; é revelado que ele enviou um presente de porcos do outro mundo como um presente para o filho de Pwyll e sucessor, Pryderi, o que acaba por conduzir a guerra entre Dyfed e Gwynedd. A memória de Arawn é mantido em um ditado tradicional encontrado em um antigo conto popular Cardigan:

"Hir yw'r dydd a hir yw'r nos, a hir yw aros Arawn" - "Longo é o dia e longa é a noite, e longo é o tempo de espera de Arawn"


Segue trecho do primeiro ramo do Mabinogion, tradução nossa:

"Pwyll, príncipe de Dyvet  era senhor dos sete cantrefs de Dyvet. Um dia se encontrava em Arberth, sua corte principal, e sentiu desejos de ir à caça, e foi  o domínio de Glynn Cuch que escolheu para tal atividade. Aquela mesma noite partiu de Arberth e chegou a Llwyn Diarwya, onde passou a noite. No dia seguinte se levantou na juventude do dia e chegou a Glynn Cuch para soltar os seus cães no bosque. Tocou o corno, e começou a caça com grande tumulto, se laçou logo atrás de seus cães e com tanto entusiasmo perdeu-se de seus companheiros. Dedicando os ouvidos aos latidos de seus cães, ouviu os latidos de outra matilha, mas seus latidos não eram os mesmos do que os daquela matilha avançava ao encontro da sua. E pode ver uma certa claridade no bosque, e quando sua matilha apareceu nos limites do ocorrido, viu um cervo que era perseguido pela outra matilha. Chegou a centro do acontecimento quando a matilha que o perseguia, o alcançou e derrubou o cervo. Pwyll contemplava as cores daqueles cães sem recorda-se do cervo, e de todos os cães que já havia visto no mundo, jamais havia visto cães daquela cor. Eram de cor branca reluzente e lustrosa, e suas orelhas eram vermelhas; e como era resplandecente a brancura dos cães, assim, também resplandecia o extraordinário vermelho de suas orelhas. Pwyll avançou até o cães e afugentou a matilha que havia matado o cervo e atiçou aos seus cães a presa. E naquele momento viu vir detrás da matilha um cavaleiro montado em um grande cavalo sinza como aço, que usava uma vestimenta de lã cinza e um corno de caça em torno da cintura.

O cavaleiro se adiantou até ele e falou assim:

- Príncipe, sei quem és, e não te cumprimentei.
- Possivelmente possui uma posição que o permita faze-lo - respondeu Pwyll
Com toda segurança não é a eminência de meu título que me impede.
- Então, o que é senhor?
- Para deus e para mim, sua ignorância e sua falta de cortesia.
- Que falta de cortesia notou em mim, senhor?
- Jamais havia vista ninguém cometer uma maior, qual a sua de afugentar a uma matilha que havia matado um cervo e atiçar a sua para a presa. Isso é falta de cortesia e, apesar de tudo, não me vingarei; por mim e por Deus, causarei desonra pelo valor de mais cem cervos.
- Se te prejudiquei, ganharei tua amizade.
- De que modo?
- Dependendo da sua posição, mas não sei quem você é.
- Eu fui coroado rei em meu páis de origem.
- Senhor, seja bem-vindo! E que país seria?
- De Annwvyn, sou Arawn, rei de Annuwvyn.
- E de que modo, senhor, conquistaria a sua amizade?
- Deste: Hafgan, rei de Annwvyn, cujo, domínios se encontram frente aos meus, me declarou guerra contínua. Se me libertar dessa calamidade, e você poderá fazê-lo facilmente, conquistará sem esforço minha amizade."



Logo, pode-se perceber que há possibilidades dos vivos vagarem no outro mundo e vice-versa.

Outras aparições




Em um poema épico mitológico semelhante Cad Goddeu descreve uma batalha entre Gwynedd e as forças de Annwn, liderado novamente por Arawn. É revelado que Amaethon, sobrinho de Math, rei de Gwynedd, roubou uma cadela,uma abibe (uma ave) e uma corça do Outro Mundo, levando a uma guerra entre os dois povos. Os habitantes de Annwn são retratados como criaturas bizarras e infernais; Estes incluem uma besta "wide-mawed" (não consegui traduzir bem essa parte) com uma centena de cabeças e tendo um hospedeiro abaixo da raiz de sua língua e outra sob seu pescoço, um sapo de cem garras negras de enterra-las, e uma "serpente ondulada malhada, com mil almas, por seus pecados, torturados nos poros de sua carne ". Gwydion, o herói Venedotiano (Norte de Galês) e mágico derrota com sucesso o exército de Arawn, primeiro por encantar as árvores para se levantar e lutar e em seguida, adivinhando o nome do herói inimigo Bran, assim ganhando a batalha.

Preiddeu Annwfn, um poema medieval encontrada no Livro de Taliesin, descreve uma viagem liderada por Arthur para os vários reinos sobrenaturais dentro de Annwn, seja para resgatar o prisioneiro Gweir ou para recuperar o caldeirão do Lider do Annwn. O narrador do poema é, possivelmente, o próprio Taliesin. Uma linha de leitura pode ser interpretada de como o reconhecimento que ele recebeu, o dom da poesia ou da oratória a partir de um caldeirão mágico, como Taliesin faz em outros textos, e o nome de Taliesin está ligado a uma história semelhante em outros textos. O narrador relata como ele viajou com Arthur e três carregamentos ou  carruagens de homens até o Annwfn, mas apenas sete pessoas retornaram. Annwfn é, aparentemente, referido por vários nomes, incluindo "Fortaleza do Monte", "Fortaleza dos quatro picos" e "Fortaleza de vidro", embora o poeta tenha destina as esse lugares como lugares distintos. Dentro das parede da Fortaleza do Monte, Gweir, um dos "três prisioneiros exaltados da Grã-Bretanha" conhecido das tríades galesas, é aprisionado em correntes. O narrador então descreve o caldeirão do lider do Annwn: "ele tem o acabamento em pérolas e não vai ferver comida para alimentar um covarde. Seja qual for a tragédia acabou matando a quase todos, porém há sete destes que não possuem seus destinos esclarecidos. O poema continua com uma escoriação de "homenzinhos" e monges, que não há em diversas formas de conhecimento possuído pelo poeta.

Folclore



No folclore galês, o Cŵn Annwn ou "Cães do Annwn" passeiam pelo céu no outono, inverno e início da primavera. O latido dos cães foram identificados como o choro de gansos selvagens que migram e as presas dos cães como espíritos errantes, sendo perseguidos para Annwn. No entanto, o próprio Arawn não é referido nestas tradições. Mais tarde, o mito foi cristianizado para descrever a "captura de almas humanas e a perseguição de almas condenadas para o Annwn", e o Annwn foi igualado com o "Inferno" da tradição cristã. 



Um detalhe

Com esse texto tento dar um mínimo de acesso ao conhecimento do que seria o outro mundo para os galeses, espero poder auxiliar alguns e espero ajuda de outros, porque, realmente é muito difícil explorar melhor esse tema. Gostaria de opiniões e auxilo, para as vezes, aumentar esse post. Desculpa qualquer tradução mal feita, tentei ao máximo fazê-las bem

Saudações a todos.


Referências bibliográfica


- Sims-Williams, Patrick. (1990). "Some Celtic otherworld terms". Celtic Language, Celtic Culture: a Festschrift for Eric P. Hamp, ed. Ann T. E. Matonis and Daniel F. Mela, pp. 57–84. Van Nuys, Ca.: Ford & Bailie.


- Lambert, Pierre-Yves. (2003). La langue gauloise: description linguistique, commentaire d’inscriptions choisies. Paris: Errance. 2nd ed.


- Cirlot Valenzuela, M. Victoria tr. (1982). Mabinogion: relatos galeses. Madrid: Editora Nacional. ISBN 84-276-0575-7.

- Mac Cana, Proinsias. (1983). Celtic Mythology (Library of the World's Myths and Legends). Littlehampton Book Services Ltd.

- http://www.almargen.com.ar/sitio/seccion/cultura/sabarb4/


- http://www.maryjones.us/ctexts/t08w.html


- http://www.maryjones.us/ctexts/t08.html


- http://d.lib.rochester.edu/camelot/text/preiddeu-annwn


- Morgan, Gerald (2005) "A Scholar of Early Britain: Rachel Bromwich (1915– )". In Chance,
- Jane, Women Medievalists and the Academypp. 769–781. University of Wisconsin Press. ISBN 0-299-20750-1.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Talvez Roma não viesse a existir (Os gauleses saqueiam Roma)

Os gauleses saqueiam Roma 390 a.e.c.

Paul Joseph Jamin (1858-1903)-' Brennus e sua parte no butim'-Óleo em tela-1893 Coleção privada

As grandes migrações dos celtas


Não se sabe muito bem porque, a partir do século V antes de nossa era, os celtas. provenientes da bacia fluvial parisiense, da Alemanha, da Suiça e da Áustria, começam uma série de migrações quer para o sul, quer ao longo do Danúbio em direção do mar Negro! Em dezenas de milhares, esses guerreiros do norte, seguidos de carroças levando mulheres e crianças, invadem em ondas sucessivas a Itália, a Europa central e a Ásia Menor.

Excetuando episódios violentos, essa expansão celta não se traduz numa colonização maciça dos territórios conquistados. No século IV, é a Itália do norte (a futura GáIia Cisalpina) que é invadida, em seguida Roma e, finalmente, a costa adriática. Outros celtas avançam ao longo do Danúbio, na Iugoslávia, na Hungria, na Macedônia e na Trácia. Uma incursão de celtas chega em 279 até Delfos, cujo tesouro é em porte pilhado. Finalmente, um último grupo passa para a Ásia Menor em torno do ano 275 e se estabelece no centro da região, numa área que lhes deve seu nome, a Galícia.



Mapa da migração na península itálica.

A batalha de Ália


Busto de Breno

A tomada de sua cidade pelos celtas é vivida como uma catástrofe pelos romanos que, no inicio do século IV, estão prestes a tornar-se uma potencia italiana destacada. O próprio futuro de Roma parece realmente em jogo e, por desânimo, muitos pensam em abandonar o local da cidade.

Quando os gauleses. instalados no norte da Itália havia varias décadas, começam a descer para a Etrúria ao Lácio, os romanos não estão preparados para essa invasão, pois, a situação é extremamente confusa na Itália. Com efeito, o declínio dos etruscos foi sancionado em 395 pela tomada de sua praça-forte, Veies, pelos romanos sob o comando do grande general Camilo. Mas este, caindo em desgraça, teve de partir para o exílio em seguida, lutas interinas dividem os políticos romanos que minimizam em público o perigo do avanço celta. Depois de se apoderar de Clusium (Chiusi), à qual Roma recusou sua ajuda, os gauleses têm o campo livre. Em marcha forçada, dirigem-se para o sul, semeando o terror com seus cantos selvagens, seus gritos e seus armamentos desconhecidos. É assim que, em julho de 390, chegam à confluência do Ália com o Tibre, a somente 16 quilômetros de Roma.

Na ausência de um chefe supremo, os tribunos militares (oficiais) concordam em convocar para o combate todos os adultos válidos - ou seja, um grande número de homens, mas cuja maioria desconhece totalmente o manejo das armas. Sem plano de batalha, sem homogeneidade no comando, sem ritos religiosos propiciatórios, nada é feito segundo as regras... Por isso não é de se surpreender que, no primeiro choque, os romanos sejam vergonhosamente postos em debandada. A maioria foge sem mesmo ter combatido. Em vez de voltar para Roma, onde se encontram suas famílias, muitos preferem ir a Veies e a outras cidades das redondezas. Somente a ala direita de seu exército retoma à Urbs (a capital) e, esquecendo de fechar as portas do cidade, os soldados romanos procuram refúgio na cidadela do Capitólio.


Senadores ou estátuas?


No momento, os gauleses não ousam acreditar numa vitória tão repentina e temem uma armadilha. No final da tarde, no entanto, ales se põem em marcha para Roma, Cavaleiros enviados como batedores trazem a notícia de que a cidade está aberta e que não há nenhum vestígio de defensores! É uma nova fonte de perplexidade para os gauleses, que se contentam em tomar posição entre Roma e o rio Anio. Essa hesitação se volta finalmente em proveito daqueles que se encontram na cidade. Sucedendo ao primeiro movimento de pânico, uma atividade febril toma conta dos romanos, que consolidam as fortificações do Capitólio, para nele se encerrar, providos de armas e alimentos. Ao mesmo tempo, os sacerdotes se preocupam em pôr ao abrigo os "objetos sagrados" protetores de Roma: alguns fetiches são enterrados em jarras perto do Fórum, os outros são levados pelas vestais, ou virgens que mantêm o fogo sagrado, que deixam a cidade com uma multidão de plebeus. A exceção dos homens entrincheirados no Capitólio, só permanecem então em Roma os senadores idosos, que tomaram a decisão de se oferecer em sacrifício pela patina. Cada um deles, revestido com a toga de púrpura e bordada com ouro e com as insígnias oficiais de sua função, senta-se num banco de marfim no vestíbulo de sua residência. Quando os gauleses e seu chefe Breno penetram na cidade pela porta Colina, o silêncio nas ruas desertas é impressionante. Nas casas dos senadores, os bárbaros percebem homens sentados, imóveis, trajando vestimentas brilhantes e que têm nas mãos um bastão de marfim. Supõem, de início, que se tratam de estátuas e, para assegurar-se, um deles puxa a longa barba de um dos personagens imóveis. Recebe então um golpe de bastão que o mata... É o sinal do massacre geral desses homens veneráveis e, durante vários dias, os gauleses pilham e saqueiam as casas, depois ateiam logo nelas.


"Vae victis!"

Breno, chefe gaulês, e Marco Fúrio Camilo, depois do Cerco de Roma. Ilustração de "Histoire de France en cent tableaux", por Paul Lehugeur, Paris, 1886.


Em Roma só restam os combatentes encerrados no Capitólio. Quando, cansados de saquear, os gauleses tentam escalar a colina, são rechaçados pelos sitiados. Preparam-se então para lazer o bloqueio da cidadela. Esse cerco vai durar seis ou sete meses, durante as quais a Fome reina nos dois campos. Além disso, uma epidemia assola os gauleses. Tanto sitiados como sitiantes chegam a um acordo: em troca de mil libras de ouro, os gauleses aceitam deixar a cidade. Uma última humilhação é reservada aos romanos: por ocasião da pesagem do resgate, os gauleses teriam trapaceado, utilizando pesos falsos. Diante da indignação dos negociadores romanos, Breno teria jogado sua espada no prato da balariça, exclamando: "Vae victis!" ("Ai dos vencidos!").

A vingança parcial dos romanos chega pouco depois. Com eleito, fora da cidade, os habitantes refugiados nas cidades do Lácio começaram a organizar a revanche. Anistiado e de volta do exílio, Camilo dirige as operações. De acordo com Tito Lívio, quando os bárbaros deixaram a cidade, ter-se-iam defrontado com o exército deste, que os teria posto em fuga. Mas a invasão deixa um trauma duradouro nos romanos: o horror das experiências vividas e a visão de sua cidade devastada são tão desencorajadores que vários responsáveis políticos propõem emigrar para Veies. Somente um longo discurso de Camilo, insistindo na necessidade de permanecer num local escolhido pelos deuses, persuade senadores e plebeus a reconstruir a cidade sobre seu local de origem.

Referências bibliográficas:


ARNOLD, B. e GIBSON, D. B. Celtic Chiefdom, Celtic State: Cambridge, 1995;
DAVIES, J. A. The Celts: Prehistory to the Present Day: Londres, 2000;
KING, A. Roman Gaul And Germany: Londres, 1990;
RANKIN, D. Celts And the Classical World: Londres, 1987.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

História da língua galesa (e links)

Uma ideia sobre a língua


Juntamente com o irlandês (Gaeilge), o bretão (Brezhoneg), o gaélico escocês (Gàidhlig), o córnico (Kernewek) e o manx (Gaelg), o galês (Cymraeg) é uma língua céltica ainda falada como língua comunitária no País de Gales (Cymru), situado numa península a oeste da Grã-Bretanha, por cerca de 659.000 pessoas, sendo a maioria bilíngue, e na colônia galesa (yr Wladfa) na Patagônia, Argentina (yr Ariannin) por algumas centenas de pessoas. Há também comunidades de falantes do galês na Inglaterra (Lloegr), Escócia (yr Alban), Canadá, Estados Unidos (yr Unol Daleithiau), Austrália (Awstralia) e Nova Zelândia (Seland Newydd). Os mais antigos exemplos da literatura galesa são os poemas de Taliesin, que retratam Urien, rei e herói lendário do século VI, de Rheged, antigo reino britânico de Yr Hen Ogledd (o Velho Norte), onde atualmente é o sul da Escócia, e Y Gododdin, tradicionalmente atribuído ao bardo Aneirin, que descreve uma batalha entre Celtas e guerreiros anglos de Northumbria que teria ocorrido por volta de 600 AD. Não se sabe ao certo quando esses poemas foram compostos, nem quando foram, pela primeira vez, compilados. Antes disso, tudo o que se escrevia no País de Gales era em latim.

Galês um resquício vivo dos celtas.


Durante a Idade do Ferro, a região onde hoje se situa o País de Gales, como toda a Bretanha ao sul do estuário do Rio Forth (gaélico escocês: Linne Foirthe), foi dominada pelos Britôncos (Celtas) e pela língua britônica. Os Romanos, que iniciaram sua conquista da Bretanha em 43 AD, de início fizeram operações militares onde é atualmente o nordeste do País de Gales em 48 contra os Deceangli (uma das tribos célticas da região), e ganharam total controle da região com a derrota de outra tribo, os Ordovices em 79. Os Romanos deixaram a Bretanha no século V, abrindo as portas à invasão anglo-saxônica. A partir daí, a língua e a cultura britônicas começaram a se ramificar, e diversos grupos distintos se formaram. O povo galês era o mais numeroso dentre eles.

Diversos reinos se formaram na área atualmente denominada País de Gales no período pós-romano. Após a expansão dos Anglo-Saxões (séculos V-IX), o País de Gales era o único território céltico autônomo sobrevivente ao sul da Bretanha; durante séculos seus povos guerreavam entre si e contra os Ingleses, os Irlandeses, e os Nórdicos. No século VIII, para reforçar a defesa das fronteiras galesas, o Rei Offa de Mércia construiu uma muralha de terra entre a Inglaterra e o País de Gales, que ficou conhecida como "Dique de Offa” (galês: Clawdd Offa). No século IX, Rhoddrio o Grande (galês: Rhoddri Mawr) uniu o país pela primeira vez desd e os Romanos.

O cenário mudou abruptamente, entretanto, com a chegada d os Normandos, em 1066, liderados pelo duque de Normandia William I (ou Guilherme) o Conquistador. Como con sequência, a língua galesa foi suplantada até certo ponto, particularmente em South Pembrokeshire (galês: De Sir Benfro) e par te de Gower ou Península de Gower (galês: Gwyr or Penrhyn Gŵyr), pelo flamengo e pelo inglês.

 Figura 1: Mapa mostrando a migração dos Britônicos para o oeste durante a invasão anglo-saxônica. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Britons_(historical)

Em 1282, duran te a invasão de Eduardo I da Inglaterra, o último príncipe galês nativo, Llewelyn op Gruffydd, foi morto. Em 13 01, o filho de Eduardo foi coroado Príncipe de Gales, título de nobreza atribuído aos primogênitos dos monarc as britânicos. Historicamente, o País de Gales pode ser considerado como a primeira colônia inglesa, e serviu quase imedi atamente após a Conquista Normanda com o um trampolim para a invasão e coloniz ação da Irlanda. Em 1485, Henrique VII a ssumiu o trono inglês e o País de Gales foi efetivamente incorporado na Inglaterra , durante o reinado de Henrique VIII, pelos Atos das Leis em Gales 1535-1542 (inglê s: Laws in Wales Acts 1535 and 1542, galês : Y Deddfau Uno 1535 a 1542), que unifica ram a Inglaterra e Gales como uma só na ção, tornando o inglês a língua da admin istração pública, da educação e dos negócios. Já havia, entretanto, um código de leis galesas, Cyfraith Hywel (“As Leis de Howel”) que foi gradativamente suplantado pelas leis inglesas do século XIII e após a união as leis da Inglaterra foram aplicadas por todo o país.

Figura 2: Fragmento do manuscrito do Act of Union de 1536 entre a Inglaterra e o País de Gales.Fonte: http://www.bbc.co.uk/wales/history/sites/themes/periods/tudors_04.shtml

O galês originou-se, portanto, no século VI do britônico, o ancestral comum do galês, do bretão, do córnico e de uma língua já extinta conhecida como cúmbrio. Do mesmo modo que a maioria das línguas, há períodos identificáveis dentro da história do galês, embora as fronteiras entre elas sejam frequentemente indistintas.

O nome Welsh originou-se como um exônimo atribuído aos seus falantes pelos Anglo-Saxões, cujo significado é "estrangeiro”, que por sua vez entrou nas línguas românicas e irlandesa como gall- (cf. francês: gallois, irlandês: Galltacht, parte da Irlanda onde se fala o inglês “discurso estrangeiro”). O termo nativo para identificar a língua é Cymraeg, e Cymru para "Wales".

Os mais antigos exemplos da literatura galesa são os poemas de Taliesin, que retratam Urien de Rheged, rei do século VI na região onde atualmente é o sul da Escócia, e Y Gododdin (“Os Gododdin”) tradicionalmente atribuído ao bardo Aneirin, que sobrevive apenas em um manuscrito, conhecido como Llyfr Aneirin (“Livro de Aneirin”), escrito parcialmente em galês antigo e em galês médio. Y Gododdin é, pois, um poema medieval galês que consiste em uma série de elegias a homens do antigo reino Britânico de Gododdin e seus aliados que lutaram numa batalha no século VII. O local da batalha é referido como Catraeth, que possivelmente corresponde à moderna Catterick, no norte de Yorkshire. Essa batalha teria ocorrido por volta do ano 600.

Figura 3: Fac-símile do fragmento de um página do manuscrito do Livro de Aneirin (em galês: Llyfr Aneirin) onde aparece a descrição do rei Artur. Fonte: http://badonicus.wordpress.com/tag/y-gododdin/

Não se sabe ao certo quando esses poemas foram compostos, nem quando foram, pela primeira vez, compilados. Antes dessas duas obras citadas, tudo o que se escreveu no País de Gales foi em latim.

Hino do País de Gales


Mae hen wlad fy nhadau yn annwyl i mi,
Gwlad beirdd a chantorion, enwogion o fri;
Ei gwrol ryfelwyr, gwladgarwyr tra mâd,
Tros ryddid gollasant eu gwaed.

Gwlad, gwlad, pleidiol wyf i'm gwlad.
Tra môr yn fur i'r bur hoff bau,
O bydded i'r hen iaith barhau.
Hen Gymru fynyddig, paradwys y bardd,
Pob dyffryn, pob clogwyn i'm golwg sydd hardd;
Trwy deimlad gwladgarol, mor swynol yw si
Ei nentydd, afonydd, i mi.

Os treisiodd y gelyn fy ngwlad tan ei droed,
Mae hen iaith y Cymry mor fyw ag erioed.
Ni luddiwyd yr awen gan erchyll law brad,
Na thelyn berseiniol fy ngwlad.


Tradução

Tenho carinho pela antiga terra de meus pais,
Terra de poetas e cantores, homens famosos de renome;
Os seus bravos guerreiros, grandiosos patriotas,
Deram o seu sangue pela liberdade.

Nação, Nação, Defendo a minha nação.
Enquanto o mar guarda a pura e muito amada região,
Possa a antiga língua perdurar.
Antiga Gales montanhosa, paraíso do Bardo,
Cada vale, cada montanha é bela para mim.
Pelo sentimento patriótico, são delícias os murmúrios
Das suas torrentes e rios para mim.

Se o inimigo subjuga a minha terra sob os seus pés,
A antiga língua galesa está viva como nunca.
A musa não foi calada pela repugante mão da traição,
Nem a melodiosa harpa do meu país.



Links


Seguem alguns links para quem se interessar de alguma maneira pelo idioma. Postarei a seguir links de bandas, blogs e sites que ensinam a língua.

Eventos importantes que envolvem o espírito da cultura celta (Eisteddfod é um evento criado pelos druídas que deixa de existir no século XII e foi revivido no séc. XVII e existe até hoje:




O link da Wikipédia está bem real falando sobre a língua http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_galesa

Universidades e sites de aprendizado:








Um canal do youtube que posta músicas em galês com letra e tradução em inglês http://www.youtube.com/user/DistantDreamer93?feature=watch

Site de dois grupos que tocam algo mais tradicional e próximo disso:



Curiosidades e bobagens:

Nome de uma famosa estação de trem em galês: 


Um brasileiro falando sobre o País de Gales:


Vídeo de um galês comparando a língua com o inglês: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=YPYkYfi_IiM

Referências bibliográficas (nesse caso fonte da parte histórica da língua):

Artigo: "Alguns Aspectos fonológicos e morfossintáticos do galês" de João Bittencourt de Oliveira. (Hoje professor e atual estudando acadêmico das línguas celtas)


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Macha um nome comum

Macha um nome comum com várias facetas mitológicas e um faceta histórica.

Macha é um nome que podemos encontrar por todas as facetas, histórica, literária e religiosa da Irlanda, é um nome comum onde alguns dos leitores lembrarão de Macha filha de Partholón, que de acordo com o Lebor Gabála Érenn (Livro das Invasões da Irlanda) é a sexta geração de Noé, seu pai foi líder do primeiro povoamento da Irlanda após o dilúvio.

Ou podemos lembrar de Macha como a esposa de Nemed, líder do segundo povoamento da Irlanda depois do dilúvio. Ela foi a primeira do povo de Nemed a morrer na Irlanda, dizem ter dado o seu nome para a cidade de Armagh (Ard Mhacha-"lugar alto de Macha") - onde ela foi enterrada. Sobre ela encontramos informações nos Anais dos Quatro Mestres (The Annals of the Four Masters)

Há também Macha filha de Delbáeth e Ernmas, dos Tuatha De Danann, que aparece em muitas fontes iniciais. Muitas vezes mencionada junto com suas irmãs, "Badb e Morrigu, cujo nome era Anand", era também esposa de Nuada da Mão de Prata. As três deusas (com vários nomes) são muitas vezes consideradas uma deusa tríplice associadas com a guerra. No glossário de O'Mulconry, compilação de glosas dos manuscritos medievais preservados no Livro Amarelo da Lecan, descreve Macha como "uma das três morrígna" (o plural de Morrígan), e diz que o termo Machae Mesrad ", o mastro/tronco [colheita de bolotas] de Macha" , refere-se "as cabeças dos homens que foram abatidos." A versão do mesmo glosário em MS H.3.18 identifica Macha com Badb e 
Morrígan  chamando-as de o trio "mulheres corvo", que instigam a batalha. É descrito que Macha foi morta por Balor do Olho Maligno durante a batalha com os Fomorianos.
Sobre Macha deusa tríplice da guerra encontramos nos textos do Lebor Gabála Érenn (Livro das Invasões da Irlanda), Cét-chath Maige Tuired (Primeira Batalha de Magh Turedh) e Cath Maighe Tuireadh Cunga (Batalha de Magh Turedh em Cong).

Uma quarta Macha é a esposa de Cruinniuc, filha de Sainrith mac Imbaith. Cruinniuc, era um fazendeiro de Ulster. Após a morte primeira esposa de Cruinniuc, ela, Macha, apareceu em sua casa e, sem falar, começou a viver como sua esposa. Enquanto eles estavam juntos a riqueza de Cruinniuc aumentou. Quando ele foi para um festival organizado pelo rei de Ulster, ela avisou que só ficaria com ele, desde que ele não mencionasse sobre ela para qualquer um, e assim foi prometido. No entanto, durante a corrida de bigas, ele se gabou de que sua esposa poderia correr mais rápido que os cavalos do rei. O rei ouviu, e exigiu que ela fosse trazida para colocar o vangloriamento de seu marido em teste. Apesar de estar grávida, ela correu com os cavalos e os venceu, acabou assim dando a luz a gêmeos na linha de chegada. Posteriormente, a capital do Ulster foi chamada Emain Macha, ou "par/gêmeos de Macha" (essa história entra em conflito com a que darei mais foco adiante, segundo a qual Emain Macha foi nomeado depois do "broche do pescoço de Macha"). Ela amaldiçoou os homens de Ulster a sofrer suas dores de parto na hora de sua maior necessidade, razão pela qual nenhum dos homens de Ulster, e somente o semi-divino herói Cúchulainn, foram capazes de lutar em Cúailnge Tain Bo (Cattle Raid de Cooley). Esta Macha está particularmente associado com cavalos, talvez seja significativo que os potros gêmeos tenham nascidos no mesmo dia em que Cúchulainn, e que uma de suas carruagens-cavalos foi chamada/o Liath Macha ou "Macha Cinza". Ela, Deusa Macha é frequentemente comparada com as figuras mitológicas da Rhiannon galesa ou da Epona gaulesa.


"Macha amaldiçoando os homens de Ulster", ilustrado por Stephen Reid, de Eleanor Hull, The Boys' Cuchulainn de 1904

Passado um resumo sobre todas Machas acima venho aqui citar uma que muito me interessa gera curiosidade e tem chegado a nós com algum embasamento histórico, sendo uma personagem humana, Macha Mong Ruad.

Macha Mong Ruad

Macha Mong Ruad ("cabeleira/cabelo vermelha/o"), filha de Áed Ruad, foi, segundo a lenda medieval e tradição histórica, a única rainha na Lista dos Altos Reis da Irlanda. Seu pai dividia o reinado com seus primos Díthorba e Cimbáeth, sete anos de cada vez. Áed morreu depois de sua terceira temporada como rei, e quando chegou a sua vez novamente, Macha reivindicou a realeza. Díthorba e Cimbáeth se recusram a permitir que uma mulher tomasse o trono, e uma batalha se seguiu. Macha ganhou, e Díthorba foi morto. Ela ganhou uma segunda batalha contra os filhos de Díthorba, que fugiram para a vastidão de Connacht. Se casou com Cimbáeth tomando-o para sí, com quem ela dividia o reino. Após o casamento perseguiu os filhos de Díthorba sozinha, disfarçada como uma leprosa, e superou cada um deles quando eles tentaram fazer sexo com ela, os amarrou e levou os três pessoalmente para Ulster. Os homens de Ulster queriam tê-los matado, mas Macha os escravizou e obrigou-os a construir a fortaleza de Emain Macha (Navan Fort perto de Armagh), para ser a capital do Ulaid (Ulster), marcando as suas fronteiras (ou o monte central da fortaleza) com o seu broche (explicando o nome Emain Macha como eo-muin Macha ou "Broche do pescoço de Macha" {será citado mais a frente} ). Macha governou juntamente com Cimbáeth por sete anos, até que ele morreu de peste em Emain Macha, e depois mais 14 anos por conta própria, até que ela foi morta por Rechtaid Rígderg. O Lebor Gabála sincroniza o seu reinado ao de Ptolomeu I Soter (323-283 a.C.). A cronologia de Keating Foras Feasa ar Éirinn data seu reinado de 468-461 a.C. Os anais dos Quatro Mestres datam em 661-654 a.C.

Esta Macha nos traz algo de novo e importante ela não só é a única mulher a estar na Lista dos Altos Reis da Irlanda como também fundou o que consideramos o primeiro hospital do mundo e esses interesses venho abordar a seguir.

Começando pelo fato dos reinados, onde Áed Ruad, filho de Badarn, Díthorba, filho de Deman e Cimbáeth, filho de Fintan, três netos de Airgetmar, eram, segundo a lenda irlandesa medieval e tradição histórica, Altos Reis da Irlanda, que governaram em rodízio, sete anos cada um. Cada um deles governou por três turnos de sete anos. Áed morreu no final de sua terceira temporada, por afogamento em uma cachoeira que foi nomeado Eas Ruaid, "cachoeira do vermelho" (Assaroe Falls, Ballyshannon, County Donegal), depois dele, Díthorba e Cimbáeth então reinaram cada na sua vez, consecutivamente no recomeço do cilco a filha de Áed, Macha Mong Ruad, exigiu governar no lugar do pai. O que podemos ressaltar para haver um maior estudo e curiosidade são as quantidades de anos e o número que são, 7 anos e 3 reis, por alto já sabemos que são números carregados de simbologia em todo ocidente, e também essa analise de que não houve uma hereditariedade direta como ocorria no medievo, onde o filho mais velho herdaria, nesse caso 3 primos governaram juntos o que deixa mais uma curiosidade de como funcionava a política da época.

Logo, em partes, funcionava da seguinte forma, havia três vezes sete garantias entre eles [ou seja]: sete Druidas, sete poetas, sete líderes militares [ou capitães] . Os sete druidas para queimar os encantamentos e aconselhar, os sete poetas para satirizar e denunciá-los, os sete capitães para ferir e queimá-los se cada um deles não desocupa-se a soberania no final de seus sete anos. E também para manter a [evidências da] justiça de um Estado soberano , a saber: das abundâncias das colheitas todos os anos, de não falhar na pintura dos tecidos de todas as cores e das mulheres para não morrerem no parto. Eram três rodízios cada homem na soberania , isto é, sessenta e três anos ao todo. E Áed morreu em seu último rodízio.

Havia de certa forma então uma legislação sobre esse funcionamento, era rígida e tentava garantir seu pleno funcionamento.

Com relação e Emain Macha a proposta etimológica que até então mais bate com o nome do local seria a história do broche, ela marcou para eles, os filhos de Díthorba, com o broche onde foi construído o palácio em sua honra. Assim marcado com o broche de ouro ["Eo Oir"] do pescoço [ou no pescoço], ou seja "Emuin" ou "Eomuin". "Eo" [
broche] de Macha do seu pescoço > ["Eo" e "muin" , broche e pescoço.] Todas palavras do irlandês antigo. Seguindo essa ideia nos oferece a lenda ou história que mais pode se aproximar do nome do local.


Modelo miniatura do Forte/Palácio em Emain Macha.

Entrada atual do Forte/Palácio para visitantes

O primeiro hospital do mundo

O palácio de Emain Macha foi construído com as seguintes distribuições:

- Emain Macha Craebruad (ramo vermelho) era o mais conhecido dos três grandes salões de Emain Macha. Tinha nove salas de teixo vermelho, paredes de bronze, e, futuramente, o apartamento do rei Conchobar, tinha um teto de prata e colunas de bronze coberto com ouro.
- O segundo corredor, Craebderg (ramo corado) continha o tesouro que continha, entre outros objetos de valor, as cabeças dos inimigos mortos.
- A terceira sala, Tete Brec (tesouro cintilante) guardava-se as armas e armaduras.
- Armas não eram para ser levados para Emain Macha e no terreno da fortaleza continha um hospital para os guerreiros feridos e doentes.

Esse hospital é considerado o mais antigo do mundo. Historiadores dizem que é uma das primeiras instituições para cuidar dos doentes sendo fundada em 300 a.C., pela que alguns chamam Princesa Macha em Emain Macha (Forte Navan), que é homenageada por uma estátua fora do hospital Altnagelvin em Derry. Esse primeiro hospital foi chamado Broin Bearg (House of Sorrow).

Estátua em homenagem a Macha.

As leis Brehon da antiga Irlanda foram bastante detalhadas nas especificações para hospitais ou locais para o doente. Eles devem estar livres de sujeira e devem ter quatro portas - norte, sul, leste e oeste, deve haver um fluxo de água que atravessa o meio da pista. Cães, tolos e mulheres que repreendem/falantes devem ser mantidos longe do paciente, para que ele não  possa ter com o que se preocupar.

Segue trecho de um livro, A social history of ancient Ireland, de livre tradução minha, do autor Patrick Weston Joyce 1827-1914:

"A idéia de um hospital, ou uma casa de algum tipo para o tratamento do doente ou ferido, era familiar na Irlanda desde os tempos pagãos remotos. Em alguns dos contos do Tain , lemos que no tempo dos Cavaleiros do ramo vermelho havia um hospital para os feridos em Emain chamado Bróinbherg [ Brone - verrig ] , a 'casa de tristeza'. Mas chegando aos tempos históricos, sabemos que havia hospitais em todo o país, muitos deles em conexão com mosteiros. Alguns foram para pessoas doentes, em geral, alguns eram especiais, como, por exemplo, as casas de leprosos. Hospitais monásticas e casas de leprosos são muito frequentemente mencionados nos anais. Estas foram as instituições de caridade, apoiados por, e sob a direção e gestão de autoridades monásticas.

Mas havia hospitais seculares para o uso comum do povo da tuath ou distrito. Estes vieram sob o conhecimento direto da Lei Brehon, que estabeleceu certas regras gerais para a sua gestão. Pacientes que estavam em posição de ajudar eram esperados para pagar pela comida, medicina e atendimento médico. Em todos os casos a limpeza e ventilação parecem ter sido bem atendidos, pois foi expressamente previstas na lei que qualquer casa em que pessoas doentes foram tratados devem estar livres de sujeira, devem ter quatro portas abertas, e deve ter um fluxo de água atravessando o local através do meio do piso. Estes regulamentos, áspero e pontuais, como eles eram, estavam na direção certa, aplicados também para uma casa ou um hospital privado mantido por um médico para o tratamento de seus pacientes. O regulamento sobre as quatro portas abertas e o fluxo de água pode-se dizer que é presente por milhares de anos no tratamento ao ar livre.

Se uma pessoa feriu outro ou causou ferimentos corporais de alguma forma, sem justificativa, ele seria obrigado pela lei Brehon a pagar "a manutenção do doente", ou seja, o custo de manutenção do homem ferido em um hospital, no todo ou em parte, de acordo com as circunstâncias do caso, até a recuperação ou a morte, o que inclui o pagamento dos honorários do médico, e um ou mais atendentes de acordo com a posição da pessoa lesada. Além disso, era o dever do agressor verificar se o paciente foi devidamente tratado - se eram as habituais quatro portas com um fluxo de água, com a cama devidamente equipada e para que as ordens do médico fossem rigorosamente realizadas -, por exemplo, o paciente não era para ser colocado em uma cama proibida pelo médico, ou ser alimentado com determinado alimento proibido , e que "cães e tolos e pessoas ruidosas" deveriam ser mantidas longe do paciente para que ele não possa se preocupado com nada. Se o agressor negligenciasse esse dever corria o risco de penalidade.

E os hospitais de leprosos foram criados em várias partes da Irlanda , geralmente em conexão com mosteiros , de modo que se tornou muito comum, e muitas vezes são notados nos anais."

Espero que tenha sido de interesse de todos o texto, aguardo críticas e comentários de todos.
Gostaria de deixar aqui um link também sobre os Hostels públicos que os celtas, e neste casa principalmente os irlandeses criaram, pois todos devemos lembrar que a hospitalidade é uma virtude muito apreciada pelos celtas. Link :(http://www.libraryireland.com/SocialHistoryAncientIreland/III-XVII-10.php)

Referências bibliográficas:












Peço perdão não me estender as outras fontes, fico a disposição de quem quiser. AWEN!